Apesar de já ter escrito rapidamente do café perto do hotel, vou contar minhas últimas horas em Auckland. Neste dia eu chorei. Tenho a sensação de que voltarei, mas está muito recente e pode não passar apenas de uma vontade grande e não de uma certeza. Acordei nem tão cedo e fui para o café próximo ao hotel. Levei o laptop para aproveitar e ver alguma coisa na internet, já que consegui terminar com o meu acesso na sexta-feira.
Encontrei pessoas do Brasil para conversar e levei mais tempo do que estava imaginando. Confesso que tive medo de comer, levando em consideração o que eu ia fazer dali a alguns minutos. Voltei para o hotel, peguei a bolsa e fui para o Skywalk. O meu presente do game de natal. Mandei uma mensagem de texto para a Letícia, e ela foi me encontrar lá. Realmente conheci pessoas legais.
Deu um frio na barriga. Tinha em mente almoçar antes de ir para o hotel acabar de arrumar a mala. Mas não deu. Levei mais tempo lá do que imaginei e o resto foi só correria. Foi ótima, uma experiência super legal. No final das contas, nem achei tão radical assim não. Apesar de que quem viu a foto ter afirmado que eu sou louca. Que nem de graça faria aquilo.
Conforme o prometido, o Charles me mandou o e-mail dele. Espero realmente manter contato com ele. Foi uma pessoa incrível, que me ajudou no inglês e a fazer minha viagem mais interessante. Tive uma hora do Skywalk até a chegada do shuttle para me arrumar (entenda-se por: tomar banho e guardar o restante das coisas na mala). E foi tudo milimetricamente cronometrado. Cheguei à portaria do hotel juntinho com o shuttle que me levaria ao aeroporto. A Letícia me ajudou a descer com as malas, e o Leonardo, o brasileiro, que era meu vizinho de quarto, abriu a porta só para me despedir e me ajudou com as malas também. E na rua ainda encontrei com a Briana, minha colega de sala.
No shuttle havia dois brasileiros. Dei uma passeada boa até chegar ao aeroporto e a fila do check-in estava enorme. O aeroporto é enorme. Mas gastei tanto tempo na fila, que nem tive muito tempo lá não. Detalhe: duas unhas quebraram e tive que passar na farmácia para comprar lixa de unha que pudesse entrar no avião. Eu comendo um sanduba e querendo alguém que pudesse abrir o pacote das lixas. Nem sei quantas vieram.
No vôo de Auckland a Santiago, fui sozinha. Então pude dormir o vôo inteiro. O que não consegui na ida, consegui na volta. Também dormi muito no vôo de Santiago a São Paulo. As refeições foram ótimas. Quase não houve atraso. Na fila da imigração, dou de cara com o Carmo Dalla Vechia. Caramba, que homem! Pena que eu estava com cara de anteontem. Passei no free shop, nem gastei muito tempo. Estava completamente fora de noção de horário. Outra mega fila no check-in da Tam. Mais uma vez sem tempo para descansar no aeroporto. Em BH, o Gustavo ficou me esperando. Coitado, um atraso de uma hora e meia. Mas no fim deu tudo certo.
Estranho estar de volta. Chorei quando o avião decolou de Auckland. Ao mesmo tempo palavras vieram à minha cabeça: “às vezes você deixa para fazer isto quando você voltar”, “tem uma empresa que paga 26 dólares a hora”, “olha do Brasil, quem sabe arruma emprego de lá”… Quem sabe eu volto mesmo? A sensação é de que voltarei, mas só o tempo me dirá isto.