Fabyana Assunção

Solidariedade

18 18UTC março 18UTC 2007

Diante de tanta violência no mundo, ainda é possível nos depararmos com pessoas que têm o coração maior do que a própria pessoa. Hoje estava assistindo ao programa do Gugu, e apareceu um senhor que transportava seus vizinhos para o hospital numa Brasília de mais de 30 anos. Não importa a hora que as pessoas precisam, ele está sempre a disposição.

É de pessoas assim que o mundo está precisando, e sabemos que não é só ele, mas que existem outros anônimos por aí fazendo mais do que o próprio governo. Temos que acreditar no melhor das pessoas, por mais que isso pareça difícil. Exemplos de cidadãos do bem também devem ser mostrados pela mídia e não somente os que matam, roubam ou cometem crimes piores.

Se cada um fizer um pouquinho, o mundo pode se tornar bem melhor…

 

Solidariedade

Diante de tanta violência no mundo, ainda é possível nos depararmos com pessoas que têm o coração maior do que a própria pessoa. Hoje estava assistindo ao programa do Gugu, e apareceu um senhor que transportava seus vizinhos para o hospital numa Brasília de mais de 30 anos. Não importa a hora que as pessoas precisam, ele está sempre a disposição.

É de pessoas assim que o mundo está precisando, e sabemos que não é só ele, mas que existem outros anônimos por aí fazendo mais do que o próprio governo. Temos que acreditar no melhor das pessoas, por mais que isso pareça difícil. Exemplos de cidadãos do bem também devem ser mostrados pela mídia e não somente os que matam, roubam ou cometem crimes piores.

Se cada um fizer um pouquinho, o mundo pode se tornar bem melhor…

 

A continuidade no marketing governamental

13 13UTC março 13UTC 2007

O marketing é uma ferramenta de extrema necessidade quando o assunto é sobrevivência das organizações. E, recentemente, temos visto seus benefícios na esfera pública. Pelo menos, nesta última eleição para presidente da república, o Brasil teve a prova mais concreta de que o marketing político ganhou força, com a eleição de Luís Inácio Lula da Silva. Este artigo visa levantar questões sobre como o marketing governamental e o eleitoral/político são dois segmentos quase que indissociáveis na realidade atual. Isso se deve ao uso da propaganda de governo ser voltada para reforçar a pessoa do governante e não as ações governamentais para o povo.

Antes de entrarmos no estudo da propaganda governamental, é importante conceituar os termos que serão usados aqui, uma vez que existe diferença entre marketing político e governamental. Gil Nuno Vaz (2000) define marketing político como aquele que se ocupa de um produto único, o candidato, sobre a qual nunca se tem um satisfatório grau de controle, pois se trata de um produto com vontade própria, que se comporta e emite opiniões que nem sempre se enquadram aos parâmetros traçados pelos estrategistas de marketing. Já o marketing governamental é a aplicação de técnicas pelo núcleo do poder, objetivando atender às expectativas da população, ou seja, o cumprimento do programa de governo proposto durante a campanha eleitoral. Um marketing é acompanhado do outro, já que o marketing governamental visa realizar as ações necessárias para a concretização do programa de governo, e provar para a população sobre a coerência entre a proposta eleitoral e as ações realizadas. O ciclo de planejamento do marketing governamental tende a coincidir com a duração do mandato.

Outra distinção importante a se fazer é sobre a diferença existente entre marketing político e marketing eleitoral. O primeiro, como definido acima, visa trabalhar o candidato como pessoa, construir sua imagem em longo prazo. Já o segundo, embora utilizado por alguns autores como sinônimo do primeiro, refere-se a um processo de curto prazo, com o estabelecimento de estratégias e táticas montadas de tal forma que, no momento da eleição, o candidato venha a ter o maior número de votos possível, para cumprir seu objetivo e ser eleito. As estratégias aplicadas a esses dois tipos de marketing são bastante diferentes. Não resta dúvida, entretanto, de que o marketing político pode ajudar a eleger um candidato, assim como uma campanha eleitoral bem elaborada utilizando-se dos recursos de marketing pode transformar-se em um excelente retorno político de longo prazo.

Uma boa estratégia de marketing eleitoral leva um candidato e, conseqüentemente, o partido ao poder. E se as realizações de quem chegou ao poder corresponderem às necessidades do povo e às expectativas geradas pela plataforma eleitoral, a tendência será o povo continuar apoiando o governo, direcionando nas próximas eleições os votos para o referido partido e o candidato no poder. Assim, mistura-se o marketing governamental com o político, fundindo-os num só, de olho nas próximas eleições. Os governos utilizam as técnicas de marketing para promover seus dirigentes. Atualmente, o gasto com essa finalidade rivaliza com os investimentos das grandes empresas para promover seus produtos. A imagem dos governantes é meticulosamente cuidada. Todos os detalhes com a aparência pessoal, vestuário, corte de cabelos, até as ações e fatos gerados para serem notícia passam pelo crivo do marketing político (Vaz, 2000).

Propaganda
Também a propaganda eleitoral aparece como um fator de extrema relevância no marketing político, uma vez que visa surtir o mesmo efeito no público daquela voltada à venda de produtos e serviços. A diferença é que esse tipo de propaganda visa “vender” pessoas e suas idéias. Uma das ferramentas mais importantes e utilizadas para influenciar e dirigir a opinião pública, a propaganda eleitoral tem o objetivo de conquistar os eleitores e também justificar a sua influência junto ao eleitorado. Ela também é tida como um elemento de manipulação, pois trabalha o eleitor sob um aspecto psicológico ou ideológico, sendo capaz de lhe impor idéias sem que ele perceba.
E é nesse ponto que podemos começar a analisar a importância do marketing político na vida dos candidatos. Luís Inácio Lula da Silva concorreu a três eleições sem sucesso. Apesar dele ser uma pessoa pública e de peso na política nacional, devido à sua luta sindicalista e até mesmo ao partido que fundou (PT), nas três primeiras eleições Lula saiu derrotado. A figura do imigrante nordestino e radical não passava no crivo da grande maioria da população, embora sempre tivesse importante apoio dos trabalhadores. Na quarta tentativa ao cargo de presidente da República, o líder sindicalista recebeu uma remodelada do “marketeiro” Duda Mendonça. Lula apareceu com banho de loja, dentes perfeitos e com uma ideologia bem mais flexível, fatores que determinaram sua eleição. As propagandas eleitorais vieram produzidas e buscaram mostrar um Lula “paz e amor”, como foi dito na época.
Uma vez eleito, o que vemos acontecer sistematicamente no governo Lula, desde a sua eleição até os turbulentos dias de hoje, é uma constante utilização da propaganda, sem fins eleitorais explícitos, porém com uma intenção de exaltar o governo e, principalmente, a pessoa do atual presidente. Nos deparamos com esse fato até o início e instalação da grave crise política que assola o país. Tanto é que a agência do publicitário Duda Mendonça, assessor de campanha do então candidato Lula à presidência em 2002 (atual presidente da República), é a agência que foi uma das vencedoras da licitação para a Secretaria de Comunicação (Secom) do governo em 2003. E como Gino Giacomini Filho relatou em seu texto “Percepções Sociais sobre a Publicidade de Entidades Públicas”, por mais bem intencionadas que sejam as campanhas governamentais, fica a impressão para muitos setores de que são autênticas peças de propaganda política.
No governo atual o gasto com propaganda não tem sido pouco. Os imensos investimentos em publicidade e propaganda, relatados na reportagem publicada pelo jornal Folha de São Paulo, de 05 de setembro de 2005, retratam como esse recurso vem sendo utilizado de forma exarcebada pelo governo Lula.

continuação

12 12UTC março 12UTC 2007

Nesse ponto é importante salientar uma questão. Nem sempre os gastos publicitários do governo são vistos com bons olhos. A população geralmente não vê razão para tamanho investimento e nem sempre o investimento vai para as áreas corretas. De acordo com a matéria da Folha de São Paulo, já citada anteriormente,
“em 2003, primeiro ano da gestão Lula, o valor gasto pela Secom com veiculação de publicidade foi de R$ 32,1 milhões. A licitação só terminou e efetivou-se no segundo semestre daquele ano. Em 2004, a cifra pulou para expressivos R$ 97,7 milhões. Registre-se que aí não estão incluídos custos com a produção dos comerciais.” (Governo Lula concentra gasto publicitário).

continuação

Ainda segundo a reportagem, no caso de gastos em publicidade do governo federal, o único valor conhecido é o total gasto em veiculação dos comerciais em emissoras de TV, rádio, jornais, revistas, internet e outros meios pela divulgação da propaganda.
“Em 2004, atingiu R$ 871,8 milhões - valor semelhante ao recorde da gestão anterior, em 2001, com R$ 881,4 milhões. A título de comparação, em 2004 o governo federal gastou R$ 9,2 bilhões com investimentos, destinados a ampliar a capacidade produtiva do país (obras de infra-estrutura, por exemplo). Os R$ 871,8 milhões consumidos pela veiculação de propaganda no mesmo período equivalem a 9,5% desses investimentos.”
Folha de S.Paulo 05/09/2005

Através desses números entende-se o porquê da insatisfação da população em relação à publicidade realizada pelo governo. Dinheiro que poderia ir para saúde, educação, transporte fica retido numa propaganda que nem sempre dará a informação correta ao cidadão.
Essa verba destinada à publicidade pode gerar situações antagônicas e causar até mesmo reações contrárias na populção, como afirma Kotler (1978, p.345) :
“um dos problemas do marketing do setor público é levar a despesas excessivas no que diz respeito a pesquisas de marketing, projeto, inovação e comunicação em que muitos cidadãos poderão não querer que seu dinheiro seja gasto com levantamentos de mercado, em mais de edifícios e instalações governamentais atraentes, em mais serviços e na expansão das comunicações.”

O grande problema do mega investimento em publicidade do governo, apontado pela reportagem da Folha, é que não se tem visto trabalhos realmente consistentes. Na verdade, não são feitas campanhas consistentes na área de saúde ou educação e trabalhos de conscientização da população. Entao, reforça-se o lado institucional do governo e esquece-se do lado funcional. Ou seja, há uma dificuldade de comprovar a real contribuição da publicidade para a qualidade do serviço público e geração de satisfação ao consumidor (Filho).
Como já foi dito anteriormente, o marketing político visa a construção da imagem de um candidato assim como sua solidificação. E o fato de a agência de Duda Mendonça ter continuado no comando da propaganda do governo leva a perceber, mesmo que sutilmente, um reforço do que foi feito da imagem de Lula durante a campanha, já preparando para as próximas eleições. É importante dizer que o artifício do marketing governamental reforçando a imagem do governante não acontece somente na esfera federal, isso vem ocorrendo constantemente no meio político.
Recentemente, uma campanha foi apresentada na televisão que, mesmo não partindo do governo federal, remete a uma reflexão sobre o poder de superação do brasileiro, como aconteceu com o presidente Lula. A peça “Sou brasileiro, não desisto nunca” parece ter sido veiculada pelo governo federal, apesar de ter partido da Associação Brasileira de Anunciantes, e não deixa de ser uma forma de reforçar a trajetória de vida de Luís Inácio Lula da Silva.
Veiculada com diferentes peças, a propaganda contava a história de alguns brasileiros que passaram por dificuldades e superaram todas as adversidades chegando a ser “alguém na vida”. Uma das histórias é do Roberto Carlos, contador de histórias. Menino de rua, recolhido pela Febem, Roberto foi adotado por uma estrangeira que lhe deu amor e carinho. Estudou e hoje tem uma família construída com garotos adotivos. Ou seja, repetiu o gesto feito por sua mãe. Uma outra peça foi sobre uma garota negra com problemas de visão que chegou ao doutorado, vencendo todos os prognósticos possíveis.
As duas campanhas lembradas neste artigo refletem o poder de superação do brasileiro e e consequentemente nos remete à vida do presidente. Lula saiu do Nordeste, se transformou num sindicalista de peso, persistente, se candidatou a quatro eleições para presidente e hoje ocupa o maior cargo da nação brasileira. Sua eleição é fruto do marketing político que constamente trabalha para o manter no poder, assim como o seu partido, apesar de todas as denúncias de corrupção em seu governo. O atual presidente do Brasil é produto do marketing e prova mais importante de que as estratégias de marketing político elegem o candidato.
E a sua boa reputação, apesar de tudo, pode ser atribuída também aos esforços de sua equipe de marketing, com o trabalho de preservar a sua imagem. Neste sentido, recorre-se a investimentos publicitários que nem sempre são bem vistos ou bem utilizados.

Onde começa o público e termina o privado?

10 10UTC março 10UTC 2007

A medida provisória 1.807, que livrou empresas do pagamento de multas e juros de tributos e contribuições federais, tirou dos cofres públicos pelo menos R$ 15,4 bilhões (valores da época) no ano de 1999. Atualizado pelo IPCA, o valor chega a R$ 25 bilhões.
Investigação da Corregedoria Geral da Receita Federal e do Ministério Público Federal (DF) mostram que essa lei beneficiou não só a montadora Fiat -que teria pago R$ 12,8 milhões pela "criação" dessa legislação- mas também multinacionais dos setores de refrigerantes e telecomunicações e instituições financeiras.
Os R$ 15,4 bilhões foram calculados pela Corregedoria. Há dois anos, ela investiga, a pedido do Ministério Público, esquema de "fabricação" de leis por consultores e funcionários da Receita.”
(Folha de São Paulo – 08/06/05)

O trecho acima exemplifica um pouco o que este texto pretende mostrar, ou seja, o privado tomando conta do público. O que se vê neste mundo contemporâneo é uma completa invasão do público pelo privado e vice-versa. Quando questionados quais os espaços públicos temos em nossas cidades, os cidadãos param, pensam e quando percebem o que deveria ser público, na verdade não o é. E o assunto da reportagem acima citada mostra que a soberania do privado sobre o público vai mais longe, atinge as mudanças da lei em benefício do privado.

A história da (res) pública começa na Antiga Grécia, com a Ágora, com o culto ao humano, à civilização. Ali na Ágora cultivava-se o público, o discutir sobre a cidade. Era ali onde o esporte e as artes eram realizados. Roma decompôs este espaço público e no decorrer da história, privado e público vieram sofrendo modificações, até chegar no ponto atual, que será apresentado aqui.

A contemporaneidade é a privatização do espaço público. É o parque que deixa de ser público para ser privado, é o teatro de deixou as arenas da Grécia para espaços fechados e pagos; é o shopping que apesar de ser considerado um espaço público, não o é. Vamos pegar como exemplo o shopping, que é o marco do estilo de vida contemporâneo, o templo do consumo. Primeiramente se observarmos que pagamos ao estacionar o carro, já vemos que o público deixou de ser público e quando pensamos qual a finalidade das pessoas estarem ali, temos total certeza de que o privado se sobrepõe. Caminhando um pouco mais longe: será que se uma pessoa da periferia/favela, que não esteja vestida “adequadamente” para aquele centro, vai circular livremente por seus corredores?

Hoje, até os banheiros públicos são cobrados. Estacionar na rua tem preço ou multa. Praças, canteiros, rodovias e parques saíram da esfera pública para entrar na esfera privada, seja através de adoções ou de concessões. E os espaços “públicos” são constantemente invadidos por mensagens do privado, incutindo no subconsciente das pessoas um determinado estilo de vida, uma estetização da vida.

Voltando ao caso da reportagem, a investigação feita aponta exatamente para uma soberania do privado sobre o público: o alto poder da empresa privada que consegue, por meio de advogados e dinheiro, alterar a lei que seria advinda de uma instituição pública e dos interesses públicos. Para entender melhor o caso, é importante ler outro trecho da matéria:

“Uma das empresas que se beneficiou com a MP foi a Fiat -se livrou de uma multa de R$ 629,5 milhões. Ação encaminhada no final de maio pelo MPF à Justiça mostra que a montadora devia R$ 852 milhões ao fisco e pagou R$ 219 milhões - deixou de pagar R$ 643 milhões. Esse valor atualizado pela taxa de juros básica chega hoje a R$ 1,35 bilhão.
Documentos dessa ação revelam que o escritório Alberto Andrade Advogados Associados foi contratado pela Fiat, por R$ 12,8 milhões, para obter facilitação na lei. O escritório, por sua vez, contratou os serviços da empresa Martins Carneiro - dos auditores da Receita Sandro Martins e Paulo Baltazer Carneiro (aposentado e ex-secretário adjunto da Receita) - e da consultoria SBS. Esses escritórios receberam R$ 2,18 milhões e R$ 4,18 milhões respectivamente por seus serviços. O Ministério Público investiga para quem foram pagos os R$ 6 milhões restantes.”

Por aí se vê o que vem acontecendo na esfera pública do mundo contemporâneo. A empresa contrata advogados que conseguem influenciar – leia-se subornar - pessoas dentro dos órgãos competentes e assim, Estado perde dinheiro e empresa lucra. No caso da Fiat, o valor pago para os advogados contratados não representou nem 10% do que ela pagou aos cofres públicos. E o pior, esse não é um caso isolado. É apenas um que surgiu na imprensa. E outras empresas, que se beneficiaram desta lei, provavelmente estão envolvidas com a “pressão” do privado sobre o público.

No caso específico da Fiat, a força do privado mostra a decadência do setor público. Porém, se observarmos o que vem acontecendo não é somente a mudança de leis que são forçadas, mas toda uma política nacional. Muitas ações são decididas em função dos interesses empresariais e não dos cidadãos comuns, que também pagam seus impostos e, no entanto, são várias vezes prejudicados em função de interesses individuais, onde o lobby das empresas surtem maior efeito do que os interesses coletivos. A questão do valor do dólar, não é interesse do governo que ele esteja baixo, uma vez que reduz os lucros das empresas. Mais vale uma dívida exorbitante em dólar do que prejudicar as exportações das grandes organizações. O mais grave disso tudo é que as exportações permanecem em patamares importantes para o Brasil, o único problema é que os lucros com o dólar em baixa diminuem, então o governo força a sua alta.

Continuação

Mas não vejo essa pressão sempre como negativa. É claro que num mundo contemporâneo tudo tem prós e contras. Atualmente vemos uma movimentação do empresariado brasileiro em função da reforma tributária e também da trabalhista. A reforma tributária é realmente imprescindível para que o País se desenvolva e a trabalhista… Essa pode fazer com que os trabalhadores percam alguns direitos. Mas isso é outro assunto. Encargos trabalhistas menores geram mais empregos, assim como tributos menores podem fazer com que o dinheiro circule mais, aumentando assim a renda do trabalhador, o poder aquisitivo do cidadão e conseqüentemente movimentando e aquecendo a economia do País.

Incoerência contemporânea

Observo uma certa incoerência na contemporaneidade. Ao mesmo tempo que o privado torna-se soberano, mais poderoso que o público. O privado também perde seu espaço dentro da sociedade, enquanto indivíduo. A vida particular ganha cada dia mais espaço na mídia, a população está completamente preocupada com a vida privada. É o “cosmo-provincianismo”, como disse Euclídes Guimarães em uma de suas aulas.

Vivemos numa sociedade de privatização do público e, ao mesmo tempo, numa sociedade sinótica, onde todos podem vigiar cada um, comprometendo nossa privacidade. E uma dos meios que refletem bem essa questão é a mídia. Quantas revistas de fofocas pode-se encontrar no mercado editorial? Quantos programas de fofocas existem na televisão? Vários. E o mais interessante é que as pessoas comentam isso nas ruas, a vida do outro, do artista é motivo de interesse e conversas entre os “meros mortais”. É a completa possessão da vida do outro, mas do outro distante e não somente do vizinho de frente. Aquilo que antes era somente a “fofoca da vizinha”, hoje ultrapassa as fronteiras reais e virtuais da sociedade.

Para exemplificar como a população se apodera da vida do outro, principalmente do outro que tem visibilidade pela mídia, vou relatar um fato antigo: a escova definitiva da jornalista Fátima Bernardes. O resultado desastroso da mudança do visual acabou sendo pauta de revistas, programas e principalmente das pessoas nas ruas que consumiram a informação. Um dia, indo para o trabalho de ônibus, ouvi a conversa de duas mulheres. Durante todo o trajeto, o papo girou em torno do cabelo da âncora do jornal Nacional. O que aquelas pessoas tinham a ver com o cabelo da jornalista? Nada, mas a mídia através da invasão do privado fez com que a vida do outro fosse exposta e motivo para ser comentada por todos.

O mesmo fato aconteceu com o começo, meio e fim do casamento de Ronaldinho e Daniela Cicarelli. Todos os momentos do casal foram motivo de cliques e suposições dos repórteres, sendo estampados em capas de jornais e revistas. O cúmulo da invasão nesse caso é quando o caderno de esportes do Estado de Minas dedica espaço ao relacionamento dos dois. O fim do caderno passa a ser meio, ou seja, o que era um espaço para informar sobre o mundo esportivo passa a ser meio de falar sobre a vida privada da personalidade.

A curiosidade das pessoas, muitas vezes disseminadas pelos meios de comunicação de massa, faz com que idéias como o Big Brother virem mania mundial. Todas as edições do programa, na versão brasileira, mobilizaram milhares de pessoas em torno de votações e julgamentos sobre os comportamentos dos participantes. Atire a primeira pedra àquele que nunca ouviu um amigo comentando sobre as situações ocorridas dentro da casa “de vidro”. Eu, particularmente, não compreendo como este tipo de programa consegue tantos adeptos. São os que querem virar celebridade e os que fazem com que essas pessoas virem celebridades. No entanto, numa sociedade em que a individualidade/privacidade torna-se uma mera questão insignificante, não é de se estranhar tal comportamento.

De certa forma, este tipo de programa dissemina “cultura”, estilo de vida. São mulheres e homens de diferentes camadas sociais, com corpos esculturais e às vezes com opções sexuais que podem criar polêmica. E isso entra nas casas das pessoas, fazendo com que eles façam parte da vida delas. Mas não é somente o BBB que faz isso, as novelas, os programas de televisão, os telejornais. Quem não conhece alguém que já respondeu o “boa noite” de um âncora de jornal? A mídia, principalmente a televisiva, faz parecer que aquelas pessoas que estão atuando, apresentando ou simplesmente aparecendo ali na televisão, virem pessoas da família, dando o direito a elas de se intrometerem, opinarem e saberem sobre suas vidas pessoais. Assim justifica-se a ação dos paparazzi.

Segurança

A questão da invasão da privacidade pode ser vista também do ponto de vista de segurança. O aumento da violência fez surgir o monitoramento das ações através da câmera de TV. Os indivíduos são constantemente filmados em suas ações, seja dentro de prédios, bancos, supermercados, casas noturnas e agora, inclusive nas ruas. A busca pela diminuição da criminalidade fez com que a sua vida vigiada seja encarada como normal. Ninguém se sente incomodado com isso.

Então surge a pergunta: onde começa o público e termina o privado e onde começa o privado e termina o público. Neste mundo contemporâneo vejo uma mistura dos dois e uma dificuldade de delimitar cada um. Na verdade os dois se mesclam, de acordo com os interesses públicos e privados. Observo uma decadência do público e uma ascensão do privado.

O privado tem as rédeas do poder público, podendo em várias situações, como já foi exposto anteriormente, manipular o público de acordo com os seus interesses. É o público privatizado. E o privado se torna público enquanto indivíduo.

Perdeu-se a noção de um e de outro. As pessoas têm suas vidas invadidas para tornarem-se públicas e os órgãos públicos vivem em função de interesses e lobbies de empresas privadas. Vivemos a era da soberania do privado e ao mesmo tempo da perda da vida privada para a vida pública, de interesse mundial.

Novos sentimentos

5 05UTC março 05UTC 2007

Novos sentimentos se apossaram de mim…

Novas perguntas surgiram

Novas dúvidas

Que caminho escolher?

Qual é o certo? Como vou saber?

Só sei que assim vou vivendo

Escolhendo passos, traçando um caminho

Que, na verdade, não sei onde vai dar

Só sei que não posso ficar parada

Um nova esperança surge a cada dia

E a fé de que tudo pode dar certo se renova

Passo por passo

Pedra após pedra

Assim vou construindo o meu destino

 

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