Fabyana Assunção

continuação

12 12UTC março 12UTC 2007

Ainda segundo a reportagem, no caso de gastos em publicidade do governo federal, o único valor conhecido é o total gasto em veiculação dos comerciais em emissoras de TV, rádio, jornais, revistas, internet e outros meios pela divulgação da propaganda.
“Em 2004, atingiu R$ 871,8 milhões - valor semelhante ao recorde da gestão anterior, em 2001, com R$ 881,4 milhões. A título de comparação, em 2004 o governo federal gastou R$ 9,2 bilhões com investimentos, destinados a ampliar a capacidade produtiva do país (obras de infra-estrutura, por exemplo). Os R$ 871,8 milhões consumidos pela veiculação de propaganda no mesmo período equivalem a 9,5% desses investimentos.”
Folha de S.Paulo 05/09/2005

Através desses números entende-se o porquê da insatisfação da população em relação à publicidade realizada pelo governo. Dinheiro que poderia ir para saúde, educação, transporte fica retido numa propaganda que nem sempre dará a informação correta ao cidadão.
Essa verba destinada à publicidade pode gerar situações antagônicas e causar até mesmo reações contrárias na populção, como afirma Kotler (1978, p.345) :
“um dos problemas do marketing do setor público é levar a despesas excessivas no que diz respeito a pesquisas de marketing, projeto, inovação e comunicação em que muitos cidadãos poderão não querer que seu dinheiro seja gasto com levantamentos de mercado, em mais de edifícios e instalações governamentais atraentes, em mais serviços e na expansão das comunicações.”

O grande problema do mega investimento em publicidade do governo, apontado pela reportagem da Folha, é que não se tem visto trabalhos realmente consistentes. Na verdade, não são feitas campanhas consistentes na área de saúde ou educação e trabalhos de conscientização da população. Entao, reforça-se o lado institucional do governo e esquece-se do lado funcional. Ou seja, há uma dificuldade de comprovar a real contribuição da publicidade para a qualidade do serviço público e geração de satisfação ao consumidor (Filho).
Como já foi dito anteriormente, o marketing político visa a construção da imagem de um candidato assim como sua solidificação. E o fato de a agência de Duda Mendonça ter continuado no comando da propaganda do governo leva a perceber, mesmo que sutilmente, um reforço do que foi feito da imagem de Lula durante a campanha, já preparando para as próximas eleições. É importante dizer que o artifício do marketing governamental reforçando a imagem do governante não acontece somente na esfera federal, isso vem ocorrendo constantemente no meio político.
Recentemente, uma campanha foi apresentada na televisão que, mesmo não partindo do governo federal, remete a uma reflexão sobre o poder de superação do brasileiro, como aconteceu com o presidente Lula. A peça “Sou brasileiro, não desisto nunca” parece ter sido veiculada pelo governo federal, apesar de ter partido da Associação Brasileira de Anunciantes, e não deixa de ser uma forma de reforçar a trajetória de vida de Luís Inácio Lula da Silva.
Veiculada com diferentes peças, a propaganda contava a história de alguns brasileiros que passaram por dificuldades e superaram todas as adversidades chegando a ser “alguém na vida”. Uma das histórias é do Roberto Carlos, contador de histórias. Menino de rua, recolhido pela Febem, Roberto foi adotado por uma estrangeira que lhe deu amor e carinho. Estudou e hoje tem uma família construída com garotos adotivos. Ou seja, repetiu o gesto feito por sua mãe. Uma outra peça foi sobre uma garota negra com problemas de visão que chegou ao doutorado, vencendo todos os prognósticos possíveis.
As duas campanhas lembradas neste artigo refletem o poder de superação do brasileiro e e consequentemente nos remete à vida do presidente. Lula saiu do Nordeste, se transformou num sindicalista de peso, persistente, se candidatou a quatro eleições para presidente e hoje ocupa o maior cargo da nação brasileira. Sua eleição é fruto do marketing político que constamente trabalha para o manter no poder, assim como o seu partido, apesar de todas as denúncias de corrupção em seu governo. O atual presidente do Brasil é produto do marketing e prova mais importante de que as estratégias de marketing político elegem o candidato.
E a sua boa reputação, apesar de tudo, pode ser atribuída também aos esforços de sua equipe de marketing, com o trabalho de preservar a sua imagem. Neste sentido, recorre-se a investimentos publicitários que nem sempre são bem vistos ou bem utilizados.

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