Fabyana Assunção

O Brasil é ouro

29 29UTC julho 29UTC 2007

Desde o dia 13 de julho estamos sediando os Jogos Pan-Americanos. Uma abertura digna de olimpíada e um fechamento lindo, para deixar saudades. Simplesmente não esqueceram de nada. No entanto, quem brilhou foi a delegação que representou o Brasil, com 161 medalhas conquistadas. Apesar de faltar muito incentivo ainda, o esporte no país está crescendo e este resultado veio para comprovar a força que temos. Foram 54 medalhas de ouro, 40 de prata e 67 de bronze. Passamos o Canadá em numero de medalhas e ficamos atrás somente de Estados Unidos e Cuba. Realmente um feito. Vamos ficar com imagens lindas de superação e vitória.

Natação, com Thiago Pereira (8 medalhas); futebol feminino, com Marta; futsal, com Falcão; ginástica rítmica; e várias outras modalidades dando show nestes dias do Pan Rio 2007. E o melhor, o nosso vôlei, que a cada dia mostra união, espírito de equipe e de família. É sempre emocionante ver este time jogar, sob o comando de Bernardinho. Sempre falo que se não fôssemos o país do futebol, seríamos o do vôlei. Sinceramente, acho que já somos o país do vôlei. E que venha mais título.

Aconteceram fatos interessantes e até engraçados. Na cerimônia de abertura, o público respondeu ao “oi”, que na verdade era “hoy” de hoje do discurso do presidente da Organização Esportiva Pan-Americana (Odepa), o mexicano Mario Vázquez Raña. Na cerimônia de hoje, ele até riu da situação e disse em português mesmo. Ainda tiveram as vaias para o presidente Lula.

A realização dos jogos Pan-Americanos no Brasil demonstrou que somos capazes de sediar uma Copa do Mundo e as Olimpíadas. Posição afirmada por Raña em seu discurso de encerramento. Esperamos que em 2014 e 2016 tenhamos mais eventos deste porte, e que até lá aconteçam mais incentivos ao esporte brasileiro. Parabéns aos atletas e aos organizadores do Pan 2007!

Fabyana Assunção
29/07/07

Ouro e choro

23 23UTC julho 23UTC 2007

A semana que passou foi marcada pelas conquistas dos nossos atletas nos jogos Pan-Americanos. Mas também foi semana de tristeza para todo o país, que viu através da TV cenas que marcarão nossas vidas. Uma tragédia que abalou o brilho do Pan. O acidente com o vôo JJ 3054 da TAM foi o principal assunto da semana.

Neste período, três dias de silêncio absoluto do governo brasileiro. Vários especialistas dando o seu parecer, tentando explicar o inexplicável: quase 200 mortes. Ministro do Lula comemorando a notícia de que o reverso do Airbus 320 estava com defeito, ou seja, não é culpa do governo.

Na sexta-feira, 20, o presidente fez um pronunciamento informando as providências tomadas e avisando que as causas seriam investigadas. Esta parte foi a mais frisada pelo nosso presidente. Estamos cansados de ouvir que casos de corrupção e problemas na aviação serão investigados. Queremos ações, não palavras. Mudanças urgentes são necessárias para que o povo possa voar com tranqüilidade e que pessoas não sofram com os atrasos nos vôos.

Mais um acidente, mais um fim de semana de caos nos aeroportos. E mais uma fala do presidente. Segundo ele não devemos julgar antes que os culpados sejam apontados na investigação. Esta é a frase que ele mais tem dito ultimamente. Já perdi as contas. Então sejamos coerentes, que essa defasagem nos aeroportos esteja vindo de outros governos. Mas por que este não agiu de forma para que ela pudesse ser evitada? Se Congonhas é perigoso, por que as companhias aéreas continuavam atuando lá? Se a principal pista do aeroporto de Congonhas não tinha o grooving ainda, por que a liberaram para uso? O que aconteceu foi um conjunto de ações que contribuíram para a tragédia.

No entanto, o pior de tudo é saber que há 10 meses estamos convivendo com um caos e que problemas foram levantados e nada foi feito. Outro acidente, e o que vai acontecer? Os responsáveis pelos órgãos da aviação nacional precisam fazer com que este cenário mude. Para isso, o povo precisa ver a seriedade com que estão trabalhando. Mas se depender de Marco Aurélio Garcia, podemos presumir que o problema não é com eles…

Fabyana Assunção
23/07/07

O dia depois

18 18UTC julho 18UTC 2007

O 18 de julho de 2007 foi dia de trabalho, consternação e de busca de explicações para a maior tragédia da aviação aérea brasileira. Foi dia de conhecer os casos dos que se salvaram da morte porque perderam o vôo ou saíram mais cedo do trabalho, ou simplesmente, porque algum outro motivo qualquer os tirou daquele vôo. E dia também de conhecer o caso de pessoas que não eram para estar ali, e por um “acaso” do destino embarcaram no vôo da morte.

Ao acompanhar as histórias descobri que as mortes nem aconteceram longe de mim. Apesar de ter tido um pequeno contato, eu conhecia uma das vítimas do acidente. Nessas horas imagino como ficam as famílias. O choque de perder alguém desta forma é muito grande. Mas o que mais indigna é perceber que nada é feito. Menos de 10 meses da queda do avião da Gol, outro avião cai, mata mais de 200 pessoas e o que vemos é o governo pedindo investigação. As investigações devem ser feitas sim, mas se providências urgentes não forem tomadas estamos sujeitos a mais mortes.

O dia foi de busca de explicações, que tão cedo não aparecerão. E foi dia de levantar novos problemas na aviação brasileira, como o funcionamento e a capacidade do aeroporto de Congonhas. Hoje foi dia também de relembrar as explicações ou comentários de nossos governantes neste período de caos que vivemos desde o 29 de setembro de 2006: reclamação de salário do ministro da Defesa Waldir Pires; o crescimento do país, do ministro Guido Mantega; e o conselho da Marta Suplicy para relaxar e gozar.

Quem acompanhou os noticiários pôde ver a indignação dos familiares, da forma como foi divulgada a lista e como foram tratados e a reivindicação de tomada de providências pelas autoridades competentes. Um comentário de uma das parentes me chamou a atenção. Ela perguntou até quando o povo brasileiro vai passar por essas situações sem se manifestar. E termino o texto de hoje com uma frase que recebi no meu álbum virtual: “Ontem eu vi o 11 setembro acontecer no Brasil.. Mas os nossos terroristas moram em Brasília!”.

Relaxar e gozar? Como?

17 17UTC julho 17UTC 2007

No caminho de casa fiquei pensando em diversos assuntos para escrever hoje. No entanto, nenhum deles superou o que me deparei ao chegar em casa e ver o noticiário: a queda do avião da TAM. Há 15 dias escrevi sobre a queda do avião da Gol. Nem imaginava que voltaria a escrever sobre uma tragédia dessas novamente. Desta vez 170 vítimas, segundo as primeiras informações.

O vôo JJ 3054 (Porto Alegre–São Paulo) não conseguiu pousar em Congonhas, São Paulo. Atravessou a pista e bateu no prédio da própria TAM e explodiu, matando mais funcionários da empresa. O piloto não conseguiu pousar na pista que foi fechada durante dias para reforma, justamente por casos de derrapagem. A pista foi entregue há poucos dias e bastou chover em São Paulo para que um acidente acontecesse. Ou seja, que bela reforma foi essa?

Os aeroportos estão lindos, sendo ampliados. Mas, novamente vimos que são apenas reformas para inglês ver. O que o nosso sistema aéreo precisa, não tem. Já passou da hora do governo admitir os problemas que foram levantados com a queda do avião da Gol, em setembro de 2006, e os que serão levantados, ou já até foram, com a queda do avião da TAM hoje. Providências precisam ser tomadas urgentemente. Não é possível que pessoas morram em viagens aéreas por causa do descaso dos governantes que não conseguem estruturar a aviação de acordo com o crescimento que ela tem.

Quantos aviões precisarão cair para que o Ministério da Defesa tome as atitudes necessárias para resolver o problema? Quanto tempo as pessoas precisarão esperar nos aeroportos para que atitudes sejam tomadas? – nessa hora a ministra Marta Suplicy tem uma dica: “relaxe e goze” - Quanto dinheiro as companhias aéreas perderão até que uma providência seja tomada? O cidadão brasileiro, que paga os impostos, merece respeito e direito à vida. Esta inércia dos órgãos envolvidos está, aos poucos, matando pessoas.

Em um acidente do tipo, quem paga a conta? A companhia aérea envolvida, que será obrigada a indenizar parentes e providenciar os atendimentos necessários. É o nome da companhia que vai aparecer durante meses nos jornais, é a imagem dela que fica abalada… E quem vai pagar isso? O governo? Claro que não, já que ele não quer fazer nem o mínimo necessário para consertar a confusão que ele próprio nos meteu. Aliás, ele finge que nem é com ele.

É campeão

15 15UTC julho 15UTC 2007

Final da Copa América. Nada melhor do que um jogo entre Brasil e Argentina, com a nossa seleção consagrando-se a campeã. Confesso sinceramente que não acreditava nisso. Enquanto a Argentina fez uma belíssima campanha, chegando à final invicta, o Brasil jogou, perdeu, ganhou, chegou lá, mas não convenceu. Como dizem; futebol é uma caixinha de surpresas.

E que surpresa boa tivemos hoje. Um gol brasileiro logo com quatro minutos de jogo, e depois um contra e mais tarde outro. Como é bom vencer, ainda mais em cima dos nossos maiores rivais. Definitivamente hoje foi um dia feliz para o Brasil. Teve também o primeiro ouro no Pan, mas isso não é o assunto de hoje. Hoje é para gritar: “É campeão!”.

Dunga conseguiu chegar lá, uma seleção sem as grandes estrelas, mas que tem orgulho de vestir a camisa do Brasil. Lembro-me de Dunga como capitão da seleção brasileira, jogando com raça e levantando com orgulho a taça do tetra campeonato. Quando fiquei sabendo da sua escolha para técnico da seleção fiquei feliz. Apesar de inexperiência, considero um bom nome para o comando dos nossos jogadores. E, bem, já tem o seu primeiro título no cargo.

O senhor Carlos Caetano deu declarações belíssimas, de motivação não só para o time, como também para todo o povo brasileiro. Que este espírito de amizade, companheirismo, e, principalmente, de equipe permaneça nos jogadores e, que daqui para a frente, a comissão técnica continue solidificando o trabalho iniciado nesta Copa América.

O Brasil conheceu jogadores e um time que aparenta estar unido. E Dunga conseguiu mostrar que existe seleção sem Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho e Kaká. Novos nomes estão aí, e com certeza honrarão sempre a camisa verde e amarela, mantendo o respeito que os outros países têm pelo futebol brasileiro. Brasil! É campeão… É campeão…

Fabyana Assunção
15/07/2007

É Pan e é vaia…

14 14UTC julho 14UTC 2007

Sexta-feira 13. Início dos Jogos Pan- Americanos no Brasil. Cerimônia de abertura digna de qualquer abertura de jogos olímpicos. Realmente um show e um presente para atletas e brasileiros, principalmente para os cariocas que viveram toda a transformação e criação de espaços para que este evento pudesse estar acontecendo.

Sexta-feira 13. Dia em que vi o presidente Luís Inácio Lula da Silva ser vaiado. Confesso que a vida atribulada não me deixou ver todo o espetáculo de abertura. Mas o que vi foi lindo e ao mesmo tempo surpreendente. Surpreendente porque foi lindo, senti como se estivesse vendo as aberturas da Copa do Mundo ou das Olimpíadas, e também por ter visto uma manifestação contra o presidente brasileiro.

Era para Lula ter aberto oficialmente o Pan 2007. No entanto, no primeiro discurso, do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, quando foi citado o nome do presidente, ouviu-se uma vaia. Pouco tempo depois, mais uma vez o nome do presidente provoca vaias que são abafadas por alguns aplausos. Aparece a imagem de Lula na frente do microfone, e Nuzman pede a palavra e declara a abertura dos jogos. Logo em seguida, viu-se um presidente sentado na cadeira e as pessoas perplexas pelo acontecido.

Apesar das várias explicações dos cerimoniais, acredito que Nuzman não quis estragar o brilho da abertura com mais vaias para o presidente. Ninguém poderia contar com isso, ainda mais que as pesquisas apontam para aprovação governo do atual presidente da república.

A manifestação do povo nesta sexta-feira 13 mostrou para o Brasil e para as Américas que nem todos estão satisfeitos com os rumos dos acontecimentos. E que estão atentos ao que acontece na política brasileira. As vaias demonstraram que, aos poucos, o cidadão brasileiro está se tornando realmente cidadão, e que nem todos são da mesma opinião. Aliás, você já participou de alguma pesquisa sobre o desempenho dos governantes? Eu não.

Eu preciso disso aí

13 13UTC julho 13UTC 2007

Abro uma revista para ler e encontro dezenas de novidades. Ligo a televisão e vejo mais produtos que são necessários para a minha vida. Navego na internet e vejo mais anúncios de produtos e serviços essenciais. Saio pelas ruas e as lojas têm placas informando seus descontos imperdíveis. Eles estão sempre dizendo que eu não posso perder a última novidade ou o enorme desconto. Definitivamente não posso perder.

Cartão de crédito, cheque pré-datado, parcelado, cartão de débito, carnê, boleto bancário. Não importa a condição, sempre há uma forma para não ficar sem o seu, o meu, o nosso “sonho de consumo”. Será mesmo sonho de consumo ou a grande mágica da publicidade? Ou pior, os nossos padrões de felicidade estão se transformando em consumo? O ter é mais importante que o ser?

Para atingir status hoje, mesmo que aparente, as pessoas precisam ter o melhor carro, o melhor computador, o melhor celular… o melhor. Caso não tenha a última geração, já está ultrapassado e/ou inadequado para andar com a sua tribo. No entanto, antigamente não existia carro, e todos viviam. Não existia computador, e as pessoas se viravam. Não existia o celular, e ninguém precisava ser achado 24 horas por dia.

O homem conseguiu desenvolver produtos que agilizaram a vida das pessoas, mas que também escravizaram essas próprias pessoas. A necessidade da tecnologia mais avançada chega a ser doença para alguns. A necessidade de aproveitar todas as promoções pode colocar as pessoas em dívidas que dificilmente serão pagas. O consumismo chega a mudar valores, e não poder estar neste meio pode até mexer com a auto-estima.

Nessa era consumista, as pessoas são julgadas pelo que têm e não pelo que são. Está na hora de parar e pensar: eu preciso ou eu quero? E até onde o ter fará bem ao meu ser? Depois disso, compre e seja feliz, mas com o seu ser e não com o que tem.

É maravilha

11 11UTC julho 11UTC 2007

O Rio de Janeiro é a cidade maravilhosa, é o cartão postal do Brasil e agora possui um dos monumentos escolhidos como uma das sete novas maravilhas do mundo. Que responsabilidade! O Cristo Redentor, depois de um longo processo de votação, tornou-se uma das maravilhas do mundo. Este título chegou junto com a realização dos Jogos Panamericanos, trazendo mais projeção para o Brasil e para cidade do Rio.

Bem, confesso que, apesar de ser brasileira, não senti muito orgulho disso. Faz mais de dez anos que não vou à cidade maravilhosa, e desde a primeira vez não consegui me ver morando ali. Por mais linda que seja a cidade, não consegui me ver naquele caos urbano, nas distâncias dos lugares.

Depois de um certo tempo passamos a conviver com as manchetes de violência, tráfico de drogas, etc, etc… Na verdade, a imagem do Rio passada pelos noticiários não tem sido das melhores. No entanto, não conheço uma pessoa que foi ao Rio e sofreu ou viu algum tipo de violência. Pelo contrário, vivenciaram a mais linda paz. Sim paz, porque curtiram o mar, a noite, as belezas que a cidade oferece. Só não sei se foram ao Cristo Redentor (perguntarei depois).

De qualquer forma, este título veio em boa hora. Numa hora em que todos buscam a paz na cidade, em que a segurança por lá anda reforçada por conta do Pan, e, principalmente, em um momento que os brasileiros precisam acreditar que tudo é possível e vai mudar, que basta lutar. Que os braços abertos do Cristo abençoem este país tão lindo, que precisa crescer com honestidade e honra.

A senha

4 04UTC julho 04UTC 2007

Antigamente era bem mais fácil tirar o passaporte. Comprava-se uma guia, preenchia, pagava-se a taxa e dirigia-se ao posto da Polícia Federal e alguns dias depois (poucos) já estava com o documento na mão. Confesso que na minha cidade havia um posto num banco e quase ninguém sabia da sua existência. Isso facilitava um pouco, a fila era menor.

Agora, com a internet todos os dados podem ser preenchidos na própria página da PF, inclusive a geração da guia de pagamento. Então é só seguir em direção à sede da polícia e tirar… a senha. Isto mesmo, depois de pagar a guia, basta enfrentar algumas horas de fila para retirar a senha para, se estiver com sorte como eu, daí a 28 dias e com hora marcada. Pelo menos, você sabe que será atendido. Tudo tem um lado bom!

Parece que no Brasil as coisas são sempre feitas para dificultar. Se você não tem pressa em viajar, pode tornar-se até um passeio divertido. O dia começa bem cedo, por volta das seis horas da manhã, quando você acorda. Bem, pode começar mais cedo, se quiser ser o primeiro da fila da senha. O meu começou neste horário. Antes das 7:30 já estava na porta da Superintendência da Polícia Federal. Descobri que existe um monte de empresas que te auxiliam nos pedidos de visto, levam para os consulados, vendem passagens aéreas. Voltei com um monte de papel delas. Caso queira alguma indicação, basta pedir! Além disso, é possível fazer amizades na fila, contar casos, saber de histórias. E se quiser, até comparar as fotos atuais com o do passaporte anterior.

Mas se a pessoa não gosta de muito papo, pode levar um livro ou palavras cruzadas. Não aconselho, a não ser que assente no meio fio. Para isso, vá com uma roupa confortável. E uma dica super importante: tome café da manhã antes de sair. É impressionante como distribuem papéis lá, e não tem ninguém vendendo um cafezinho com pão-de-queijo. É, está faltando o cafezinho… chazinho… bolinho… E, o principal, respeito pelo cidadão brasileiro.

Fabyana Assunção

Até quando?

2 02UTC julho 02UTC 2007

29 de setembro de 2006 – Cai avião da Gol. 154 pessoas morrem.
02 de julho de 2007 – Quase dez meses depois do acidente, a população sofre nos aeroportos do Brasil e nada foi feito para solucionar a situação.

Foi preciso acontecer um acidente com 154 mortos para que todo o Brasil pudesse saber sobre a precariedade dos aeroportos brasileiros. Para que pudesse saber sobre a falta de pessoal treinado e que existem zonas cegas nos radares.

Foi preciso colocar a culpa nos controladores, para que estes resolvessem fazer a operação padrão. Desta forma, aviões não decolam, não pousam e pessoas não chegam aos seus destinos, ou melhor, nem chegam a sair da cidade de origem.

Foi preciso que 154 pessoas morressem para que, nós, cidadãos brasileiros, descobríssemos que as reformas nos aeroportos são apenas para “inglês ver” e que nossa segurança aérea está em cheque o tempo inteiro.

E o pior, foi preciso que este avião caísse para que descobríssemos que nossos controladores não falam inglês, quiçá outra língua qualquer. E com isso vimos, mais uma vez, que estamos à mercê de funcionários públicos e políticos que não têm respeito com o cidadão.

Antes do avião da Gol cair não havia cachorro na pista, chuva, congestionamento aéreo que atrasasse os vôos. Será que não havia mesmo? Ou que nossa vida sempre foi colocada em risco? Por que é tão complicado para o governo investir em equipamento e pessoal para que a situação se resolva? Por que foi tão complicado instalar a CPI do Apagão Aéreo? Até quando teremos que enfrentar horas nos aeroportos para conseguirmos viajar?

Fabyana Assunção

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