A senha
4 04UTC julho 04UTC 2007
Antigamente era bem mais fácil tirar o passaporte. Comprava-se uma guia, preenchia, pagava-se a taxa e dirigia-se ao posto da Polícia Federal e alguns dias depois (poucos) já estava com o documento na mão. Confesso que na minha cidade havia um posto num banco e quase ninguém sabia da sua existência. Isso facilitava um pouco, a fila era menor.
Agora, com a internet todos os dados podem ser preenchidos na própria página da PF, inclusive a geração da guia de pagamento. Então é só seguir em direção à sede da polícia e tirar… a senha. Isto mesmo, depois de pagar a guia, basta enfrentar algumas horas de fila para retirar a senha para, se estiver com sorte como eu, daí a 28 dias e com hora marcada. Pelo menos, você sabe que será atendido. Tudo tem um lado bom!
Parece que no Brasil as coisas são sempre feitas para dificultar. Se você não tem pressa em viajar, pode tornar-se até um passeio divertido. O dia começa bem cedo, por volta das seis horas da manhã, quando você acorda. Bem, pode começar mais cedo, se quiser ser o primeiro da fila da senha. O meu começou neste horário. Antes das 7:30 já estava na porta da Superintendência da Polícia Federal. Descobri que existe um monte de empresas que te auxiliam nos pedidos de visto, levam para os consulados, vendem passagens aéreas. Voltei com um monte de papel delas. Caso queira alguma indicação, basta pedir! Além disso, é possível fazer amizades na fila, contar casos, saber de histórias. E se quiser, até comparar as fotos atuais com o do passaporte anterior.
Mas se a pessoa não gosta de muito papo, pode levar um livro ou palavras cruzadas. Não aconselho, a não ser que assente no meio fio. Para isso, vá com uma roupa confortável. E uma dica super importante: tome café da manhã antes de sair. É impressionante como distribuem papéis lá, e não tem ninguém vendendo um cafezinho com pão-de-queijo. É, está faltando o cafezinho… chazinho… bolinho… E, o principal, respeito pelo cidadão brasileiro.
Fabyana Assunção

