O dia depois
18 18UTC julho 18UTC 2007
O 18 de julho de 2007 foi dia de trabalho, consternação e de busca de explicações para a maior tragédia da aviação aérea brasileira. Foi dia de conhecer os casos dos que se salvaram da morte porque perderam o vôo ou saíram mais cedo do trabalho, ou simplesmente, porque algum outro motivo qualquer os tirou daquele vôo. E dia também de conhecer o caso de pessoas que não eram para estar ali, e por um “acaso” do destino embarcaram no vôo da morte.
Ao acompanhar as histórias descobri que as mortes nem aconteceram longe de mim. Apesar de ter tido um pequeno contato, eu conhecia uma das vítimas do acidente. Nessas horas imagino como ficam as famílias. O choque de perder alguém desta forma é muito grande. Mas o que mais indigna é perceber que nada é feito. Menos de 10 meses da queda do avião da Gol, outro avião cai, mata mais de 200 pessoas e o que vemos é o governo pedindo investigação. As investigações devem ser feitas sim, mas se providências urgentes não forem tomadas estamos sujeitos a mais mortes.
O dia foi de busca de explicações, que tão cedo não aparecerão. E foi dia de levantar novos problemas na aviação brasileira, como o funcionamento e a capacidade do aeroporto de Congonhas. Hoje foi dia também de relembrar as explicações ou comentários de nossos governantes neste período de caos que vivemos desde o 29 de setembro de 2006: reclamação de salário do ministro da Defesa Waldir Pires; o crescimento do país, do ministro Guido Mantega; e o conselho da Marta Suplicy para relaxar e gozar.
Quem acompanhou os noticiários pôde ver a indignação dos familiares, da forma como foi divulgada a lista e como foram tratados e a reivindicação de tomada de providências pelas autoridades competentes. Um comentário de uma das parentes me chamou a atenção. Ela perguntou até quando o povo brasileiro vai passar por essas situações sem se manifestar. E termino o texto de hoje com uma frase que recebi no meu álbum virtual: “Ontem eu vi o 11 setembro acontecer no Brasil.. Mas os nossos terroristas moram em Brasília!”.

