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Terra Blog

Arquivo de: Janeiro 2008

30.01.08

Experiências

É estranho estar de volta ao Brasil. Conhecer a África do Sul me fez querer mais da vida e ver o mundo com outros olhos. De certa forma, mostrou-me o quanto a Terra é grande e quantas coisas a gente pode aprender. Durante muitos dias ainda vivi como se minha vida estivesse lá e com as lembranças, o organismo funcionava nos horários de Cape Town. Passei dias dormindo muito pouco mesmo. No entanto, mais do que o organismo era a minha cabeça que tinha mudado.

Eu havia passado 35 dias fora de casa e sobrevivi. Mais do que isso: aprendi. Aprendi muito de um país, de uma cultura e até mesmo de outras, uma vez que convivi com diferentes nacionalidades. Conheci lugares maravilhosos e tive uma vida que jamais tive no meu país. Morei num lugar com diversas pessoas e em pouco tempo elas se tornaram minhas melhores amigas. Compartilhamos comida, sofá e histórias. Muitas que ficarão guardadas para sempre dentro de mim. Algumas engraçadas, outras nem tanto. Mas todas ricas em importância.

Fiz amigos, amigos que talvez eu nunca mais os verei, mas que foram meus melhores amigos naquele momento. Amigos que manterei contato por um tempo, outros que serão para a vida toda. Mas, que com certeza, independentemente do que aconteça, sempre lembrarei.

Passar cinco semanas fora do país acabou sendo pouco pelo que descobri que posso viver. É claro que, em pouco tempo, vivi somente a melhor parte, mas neste tempo pude perceber o quão importante é ter experiências novas. Além disso, os nossos horizontes se ampliam.


Quando decidi jogar tudo para o alto e ir para a África do Sul, muitas pessoas me acharam maluca. Vender o carro, sair do emprego para ficar apenas cinco semanas e voltar. Hoje eu vejo que o tempo foi curto, mas não me arrependo de nada do que fiz, pois foi a melhor experiência da minha vida.

O mundo é enorme e lindo, cheio de coisas para serem descobertas. O ser humano é incrível, cada um a seu modo. Aprender a conviver com diferentes culturas nos faz ver como somos cheios de preconceitos. E estar fora do país abre nossas mentes para estas pequenas mesquinharias e sentimentos. Sei que não é todo mundo que consegue passar por esta experiência, pois cada um sente as diferenças de uma maneira. E nem todo mundo gostou do que viveu. Mas uma coisa é indiscutível: a gente volta diferente.

Hoje eu quero mais para mim. Eu quero conhecer mais lugares e culturas. Aprimorar ainda mais o inglês e aprender outras línguas. Eu quero simplesmente viver com mais intensidade e qualidade. Estou de volta à realidade, à procura de um emprego, porém mais confiante na vida. Não sei direito o que aconteceu comigo, mas voltei diferente. E quero o que todos na verdade querem: apenas ser feliz.

Cape Town - South Africa

  • criado por  fabyanaassun criado por fabyanaassun
  • Postado em 22:52:50

29.01.08

De volta para casa

Chegando em Johanesburgo, eu bem que tentei passar a noite em um hotel. Mas os preços das diárias me fizeram desistir da idéia, e enfrentar a maratona de cerca de 12 horas na cadeira do aeroporto. Confesso que não foi fácil ficar a noite no aeroporto, mas foi divertido. Ouvi os outros dialetos africanos, conversei com outras mulheres que também aguardavam vôo pela manhã, escrevi e cochilei.

Desta vez, vim sozinha no vôo e deu para esticar as pernas. O tempo foi gasto dormindo e comendo. O cansaço era muito. E eu ainda enfrentaria mais um vôo no Brasil. Ou seja, mais espera. Não tive como não passar no “duty free” e comprar mais algumas coisinhas. Arrependi por não ter comprado a Amarula na África ou no “duty free” do avião. Estava mais barata, mas comprei mesmo assim.

Saindo de lá, era hora de fazer o check-in para Belo Horizonte. Eu estava morta, não agüentava mais carregar tanto peso. Vale lembrar que paguei excesso de peso no Brasil. Sorte de quem mora em São Paulo. Para variar houve atraso no vôo, por causa da chuva. E quando cheguei na minha cidade ainda fui obrigada a presenciar uma briga entre taxistas e vim com raiva dentro do táxi e sem forças para brigar.

Fiquei com pena da minha mãe, que eu tava tão irritada e a fim de ver o motorista pelas costas, que nem a abracei quando cheguei. Mas me redimi depois. E, eu que pensei que não teria forças para tirar nada da mala quando entrasse dentro de casa... Puro engano, saí tirando as coisas de dentro das malas e entregando os presentes para ela. Ainda estava no gás total, cansada, mas acesa.


Era estranho estar de volta no meu quarto, dormindo na minha cama enorme, com colchão de mola e roupa de cama nova. Meu presente de Natal, um conjunto lindo para a minha cama. Um dia eu estava lá, numa residência estudantil. No outro, já estava na minha casa, no meu quarto. Durante 35 dias minha única preocupação foi ir para a aula e resolver qual seria a programação para o resto do dia. Agora eu estava de volta e precisava retomar minha vida e sair em busca de realização profissional em um bom emprego.


Minha cara de detonada no chão do aeroporto de Johanesburgo

  • criado por  fabyanaassun criado por fabyanaassun
  • Postado em 20:16:10

28.01.08

Últimos momentos

Chegou a sexta-feira, dia 28. Quando fiquei sabendo que ficaria uma semana a mais lá por não encontrar vôo de volta, pensei: nossa, que ruim! Depois achei que aquilo aconteceu por algum motivo. E quando cheguei lá, vi que foi a melhor coisa. No entanto, por mais que eu quisesse que demorasse, o dia havia chegado.

Acordei cedo do mesmo jeito. Mesmo tendo saído no dia anterior e não ter dormido quase nada. Parece que eu queria aproveitar o máximo de tempo possível. Encontrei a Mari na cozinha, tomei café e fomos para o Waterfront. Lá, nos separamos para que cada uma pudesse comprar e olhar o que quisesse. Comprei um fichário para fazer meu álbum de Cape Town, fiz uma pesquisa enorme sobre os copos de shot e acabei comprando por um bom preço. E não resisti e comprei o porta-moeda de couro de avestruz. Na verdade, ficou faltando alguma coisa que eu queria ter comprado para relembrar a viagem... Quem sabe volto lá antes do que imagino?

Encontrei a Mari e almoçamos no Ocean Basket. Meu último almoço lá tinha que ser onde encontrei a melhor comida. Depois disso fui trocar os vats. Meia hora na fila. E ainda fiquei sabendo que teria que fazer a troca em Johanesburgo, uma vez que passaria a noite por lá. Teria que colocar tudo na bagagem de mão. Ou seja, teria que modificar toda a minha bagagem, que já estava pronta. A sorte é que iria vestida com quase tudo que comprei.

No caminho para a estação, o Vitor me liga e pergunta se queria que ele me esperasse para ir para o YMCA. E disse que uma galerinha estava indo para lá. E acabei encontrando eles no caminho. Fiquei feliz. E na porta da escola, estava a galera toda, e a última vez que vi a maioria das pessoas. Antes de ir embora, ainda comprei um boné de lá. O Ricardo foi quem me fez companhia e ainda me ajudou com as malas.

Fui para o YMCA, tomei banho, acabei de arrumar as coisas e me juntei ao povo. Ri muito com os comentários da noite anterior. E já estava na hora de ir para o aeroporto. Despedi-me do povo e senti o quanto eu queria muito ficar ali com eles, e aproveitar a vida mais um pouco. Mas, a realidade estava próxima. E o Fernando e o Júnior ainda chegaram bem na hora, para me despedir deles.

Quando cheguei no aeroporto, percebi o quanto fui burra. Era muito perto. Podia ter ficado com a galera pelo menos mais duas horas. Mas, não tinha mais jeito. Entrei para a sala de espera e liguei para casa. A Joana, outra amiga linda que conheci lá, me ligou querendo saber o que iríamos fazer. Bem, eu não iria fazer tnada. E mais uma vez chorei por estar indo embora. Aproveitei e comprei um livro e o jornal e fiquei na espera. Só que o sono era muito.

Eu dormi o vôo todo, afinal de contas a noite anterior foi de farra, despedida e emoções fortes. Depois disso, foram cerca de 12 horas no aeroporto de Johanesburgo (já tem um texto sobre isso) e atravessar o oceano de volta para o Brasil.

  • criado por  fabyanaassun criado por fabyanaassun
  • Postado em 17:39:27

27.01.08

Surpresas

Quinta-feira, 27 de dezembro. Meu penúltimo dia em Cape Town. Como o tempo havia passado rápido! Só então percebi que não queria voltar. Mas não dava mais tempo para olhar qualquer coisa. Precisaria de um lugar para ficar e dinheiro. O jeito era aproveitar da melhor forma os meus últimos dias.

Para início de conversa, acordei super cedo. Tentei dormir de novo e não consegui. Então resolvi arrumar minhas malas. Até que deu a hora do povo se preparar para ir para a aula. Todos saíram e fui me arrumar para o último dia. Na hora combinada, fui chamar o Bernardo, que estava dormindo ainda. Então esperei mais um pouco e saímos. Passei na internet café para baixar as fotos e navegar um pouco.

O destino da manhã era o District Six, um lugar que reflete bem o que aconteceu durante o apartheid na África do Sul. Depois de pedirmos algumas informações, finalmente chegamos ao museu. Um lugar que mostra realmente como aquilo é carregado até hoje. Na minha opinião, o apartheid não acabou, só mudou de lado. O racismo e as marcas são fortes no país. Até o Bernardo comentou como o lugar era carregado de uma energia forte. De lá, passei no Market Square para procurar os copos e não achei, então fomos para a escola esperar o povo.

Lá avisei à galera que estava indo para o Cubana para fazer minha despedida. Até então, eu só sabia que eu e a Mari iríamos. Acabada a aula, fomos comer pizza e o destino era Muzemberg, uma praia que o Fernando havia lido que era interessante visitar. Pegamos o trem e fomos: eu, ele, Tarsila e Harumi. Até a estação do lugar era bonita.

Na volta para o YMCA era hora de saber quem iria, para marcarmos o táxi. E mais uma novela. Mas antes disso, fiquei um tempão conversando com a Juliana e a Mari (coisas de mulher). Até que o povo me chamou no meu quarto e vi que tinha que correr para me aprontar. As horas passavam super rápido mesmo.

Fiquei surpresa com as pessoas que foram. E feliz. Percebi o carinho que o Tobi tinha por mim e como a gente conversou durante o tempo que estive lá. E como todos que estavam ali faziam parte da minha vida. E como iria sentir falta de cada um deles. Foram cinco semanas dividindo o mesmo teto, fazendo os mesmos passeios, ajudando e sendo ajudado. Era como se fosse uma família de diferentes partes do mundo, com diferentes culturas. E chorei. Chorei porque iria sentir falta de cada um, porque percebi que não queria voltar, porque há muito não me sentia tão feliz.

Lembro-me do Fernando me dizendo para levar as coisas boas para o Brasil e aprender com as ruins. Mas, sinceramente, não tenho nada de ruim desta viagem. Imprevistos acontecem, o medo esteve presente em algumas situações, mas foi tudo muito perfeito. Já o Tobi, quando me viu chorando, somente disse para eu pensar que ainda estava lá. E foi me pagando bebidas. Esta foi a primeira vez que fiquei realmente bêbada na minha vida. O dia que mais bebi: duas garrafas e meia de Smirnoff Spin (a última o Fernando bebeu, porque eu realmente não dava conta). Bem, não sou de beber, né?

Outra coisa que me comoveu, foi como as pessoas queriam me ajudar, ou queriam que algo acontecesse. Muitas eu havia acabado de conhecer e foi muito legal isso. Para variar, o taxista atrasou com a gente. E o povo querendo ir embora negociou um táxi. É importante dizer que uma coisa que eu estava querendo muito aconteceu.

Estação de Muzemberg

Uma parte da galera que foi para o Cubana

  • criado por  fabyanaassun criado por fabyanaassun
  • Postado em 13:28:05

25.01.08

Castelo e montanha

O dia 26 de dezembro amanheceu com nuvens no céu. E como eu imaginava, cobrindo a Table Mountain. Nossos planos tiveram realmente que ser modificados. Então o destino foi o Castle of Good Hope. Tomei o café da manhã. Na verdade, nem estava provida disso. Um supermercado seria bem importante. Combinei tudo na cozinha e fui para o meu quarto me arrumar.

Lá a Tarsila resolveu se juntar a nós. E quando desci, o Júnior e o Fernando já estavam me esperando. E eu na maior calma lá em cima. Já na estação, lembrei da Mari e liguei para ela, que foi nos encontrar. Estava tão acostumada com o lance de estar sempre esperando alguém, que quando vi o povo me esperando, esqueci de chamá-la. Mas me redimi.

O castelo é um dos lugares mais lindos. Ou melhor, é lindo também, porque tudo naquela cidade é de uma beleza sem limites. Vi cadeiras de 1790, peças desta época, uma pintura de Vasco da Gama (ainda acho que a chegada dos portugueses não fez bem para o país, mas tudo bem), um ônibus de madeira puxado por cavalos brancos, entrei em calabouços. Mas chegou uma hora que a fome apertou. E eu, com fome, não sou ninguém. O lugar era enorme, e sinceramente, quando eu voltar lá, terei que visitar o castelo de novo, porém melhor alimentada.

A essa altura, o Vítor já havia me ligado para saber o que estávamos fazendo e foi encontrar com a gente. E o Júnior, que estava passando mal, voltou para casa. Fomos almoçar. Nunca me senti tão feliz com isso! Almoçamos em um restaurante lindo no centro da cidade, no Market Square. Na verdade, comi um sanduíche e muito bom. Quando olhamos, a Table Mountain estava limpa de nuvens. O dono do restaurante ligou para lá e estava aberto. Resultado: corremos para a montanha.

Negociamos com o taxista e enfrentamos uma mega-fila para comprar a entrada do cable car. Desta vez eu não tirei foto com o ingresso não, afinal de contas já tinha conseguido essa façanha antes. Sorte do Fernando, que conseguiu na primeira tentativa. E, se não me engano, da Tarsila e da Mari também.

Caminhamos bastante pelo topo da montanha. E depois escolhemos uma rocha para sentar e acompanhar o pôr-do-sol. Perdi as contas de quantas fotos eu tirei. E lá ficamos um bom tempo. Até que todos decidiram acabar de dar a volta na montanha e ver o pôr-do-sol de outro ponto. Aliás, começou a fazer frio, assim que o sol abaixou um pouco. Mas valeu cada minuto lá em cima: a vista mais bonita que vi na vida, além do mais belo pôr-do-sol. Fora a sensação de liberdade e paz de espírito.

A volta para casa foi meio desastrosa. Nenhum taxista podia nos buscar, e o que ficou de nos pegar, quebrou o carro. Por fim, a Mari conseguiu chamar o Mô que rapidinho chegou lá. Como ninguém tinha nada para comer, e o supermercado já estava fechado (quase 10h da noite), pedimos pizza. E era tão pequena, que nem deu para matar a fome de todo mundo. Devíamos ter pedido duas...

Mas tivemos mais uma surpresa. Gente nova na residência, e para variar mais um brasileiro. Fiquei até tarde na cozinha batendo papo com ele, a Harumi e a Tarsila. E acertamos de ir ao District Six no dia seguinte pela manhã, enquanto o povo estivesse na aula.

Uma pequena parte da Table Moutain

O pôr-do-sol visto da Table Mountain

  • criado por  fabyanaassun criado por fabyanaassun
  • Postado em 18:11:15