Last class
20 20UTC janeiro 20UTC 2008
Sexta-feira, 21 de dezembro. Finalmente chegou o meu último dia na escola. E para falar a verdade, eu estava triste. Isto significava que seria a última vez que eu veria boa parte das pessoas. E elas fizeram parte da minha vida durante as quatro semanas de curso. De qualquer forma, foram bons momentos vividos ali e muito aprendizado.
O intercâmbio com quatro semanas de aula me ajudou muito a relembrar o que aprendi nos meus 13 anos de estudos no Brasil, e mais: a conversação (achava que nem conseguiria mais falar em inglês), o listenning (que também foi ajudado pelos filmes alugados no YMCA) e o aumento de vocabulário. Há palavras que a gente só aprende mesmo com o dia-a-dia, com a vivência do idioma. Sei que posso esquecer muita coisa do que ouvi lá, mas farei o possível para que isso não aconteça e que com o tempo eu só possa melhorar cada vez mais.
Há uma tradição entre os alunos de levar algo para comer no último dia de aula. A intenção era levar um muffin para cada, mas não conseguimos comprar. Então, desci na Clicks, uma loja ao lado da escola, e comprei uma caixa de chocolate da Bélgica. E ele era bom. Mas meu último dia de aula não foi muito emocionante não. Uma professora alugou um filme, que não me lembro qual, e quase todas as turmas o assistiram. Tinha tanta cabeça na minha frente, que resolvi tirar fotos da Good Hope Studies e dos meus colegas de curso.
Terminada a aula, fomos para o Waterfront almoçar. Mais uma vez, no Ocean Basket. E a intenção era ir para a praia. O Fernando, que é de cidade litorânea, não via a hora de ver o mar. Mas a gente demorou tanto que ficou tarde. Então resolvemos passear mais pelo Waterfront.
Eu tenho problemas quanto a andar muito. E o que mais fiz nesta cidade foi andar e com mochila pesada nas costas. A esta altura do campeonato, eu já estava morta e a Sílvia mandando eu andar rápido. Primeiro, não tinha horário com nada. Segundo, eu sei o que os meus pés dão conta. Sobrou para o Fernando, que gentilmente pegou minha mochila e carregou-a por algum tempo. Mas como eu sempre sou daquelas que não gosta de abusar. O peso era meu, a responsabilidade era minha.
Hoje eu fico pensando para que correr. Estávamos de férias, estudando em um outro país. Está certo que nos mandaram ter cuidado, que lá era perigoso, mas nunca vi a necessidade de correr. Várias vezes eu dizia para a Sílvia: “neste teu passo você vai andar sozinha e eu também, porque não vou correr para te acompanhar”. Ela ria, diminuía e depois voltava ao ritmo normal dela. Ou seja, cada um tem seu ritmo. Deve ser porque ela é paulistana. E pensando nisso agora, vejo que na semana seguinte eu não tive necessidade de correr atrás de ninguém.
Depois de sentarmos e vermos um pouco da paisagem, voltamos e acho que pegamos um ônibus até a estação. Mas não estou bem certa. Mais tarde descobri que a Mari estava em Camps Bay e a gente bem que poderia ter ido para lá e visto o pôr-do-sol na praia. Mas a esta altura já estávamos em casa.
A semana havia terminado e a minha volta para o Brasil se aproximava. Neste momento percebi que eu não queria voltar, mas também não tinha mais tempo para arrumar qualquer coisa para continuar, isso sem contar no dinheiro para a permanência. O jeito era aproveitar o máximo os últimos dias que me restava.
Na verdade, estava apreensiva. Não sabia como seria minha última semana, já que estaria sozinha. A Andréa, que chegou comigo, voltaria no mesmo dia que eu, e tinha somente quatro semanas de aula, resolveu voltar antes. Assim, que ficaria sozinha na minha última semana. Estava me preparando para os programas na parte da manhã e pensava em encontrar o povo da escola depois da aula. No entanto, minha apreensão foi sem fundamento. Não fiquei sozinha um só dia.

Cindy (secretária da escola), eu e Aleja (spanish classmate)

