Fabyana Assunção

Surpresas

27 27UTC janeiro 27UTC 2008

Quinta-feira, 27 de dezembro. Meu penúltimo dia em Cape Town. Como o tempo havia passado rápido! Só então percebi que não queria voltar. Mas não dava mais tempo para olhar qualquer coisa. Precisaria de um lugar para ficar e dinheiro. O jeito era aproveitar da melhor forma os meus últimos dias.

Para início de conversa, acordei super cedo. Tentei dormir de novo e não consegui. Então resolvi arrumar minhas malas. Até que deu a hora do povo se preparar para ir para a aula. Todos saíram e fui me arrumar para o último dia. Na hora combinada, fui chamar o Bernardo, que estava dormindo ainda. Então esperei mais um pouco e saímos. Passei na internet café para baixar as fotos e navegar um pouco.

O destino da manhã era o District Six, um lugar que reflete bem o que aconteceu durante o apartheid na África do Sul. Depois de pedirmos algumas informações, finalmente chegamos ao museu. Um lugar que mostra realmente como aquilo é carregado até hoje. Na minha opinião, o apartheid não acabou, só mudou de lado. O racismo e as marcas são fortes no país. Até o Bernardo comentou como o lugar era carregado de uma energia forte. De lá, passei no Market Square para procurar os copos e não achei, então fomos para a escola esperar o povo.

Lá avisei à galera que estava indo para o Cubana para fazer minha despedida. Até então, eu só sabia que eu e a Mari iríamos. Acabada a aula, fomos comer pizza e o destino era Muzemberg, uma praia que o Fernando havia lido que era interessante visitar. Pegamos o trem e fomos: eu, ele, Tarsila e Harumi. Até a estação do lugar era bonita.

Na volta para o YMCA era hora de saber quem iria, para marcarmos o táxi. E mais uma novela. Mas antes disso, fiquei um tempão conversando com a Juliana e a Mari (coisas de mulher). Até que o povo me chamou no meu quarto e vi que tinha que correr para me aprontar. As horas passavam super rápido mesmo.

Fiquei surpresa com as pessoas que foram. E feliz. Percebi o carinho que o Tobi tinha por mim e como a gente conversou durante o tempo que estive lá. E como todos que estavam ali faziam parte da minha vida. E como iria sentir falta de cada um deles. Foram cinco semanas dividindo o mesmo teto, fazendo os mesmos passeios, ajudando e sendo ajudado. Era como se fosse uma família de diferentes partes do mundo, com diferentes culturas. E chorei. Chorei porque iria sentir falta de cada um, porque percebi que não queria voltar, porque há muito não me sentia tão feliz.

Lembro-me do Fernando me dizendo para levar as coisas boas para o Brasil e aprender com as ruins. Mas, sinceramente, não tenho nada de ruim desta viagem. Imprevistos acontecem, o medo esteve presente em algumas situações, mas foi tudo muito perfeito. Já o Tobi, quando me viu chorando, somente disse para eu pensar que ainda estava lá. E foi me pagando bebidas. Esta foi a primeira vez que fiquei realmente bêbada na minha vida. O dia que mais bebi: duas garrafas e meia de Smirnoff Spin (a última o Fernando bebeu, porque eu realmente não dava conta). Bem, não sou de beber, né?

Outra coisa que me comoveu, foi como as pessoas queriam me ajudar, ou queriam que algo acontecesse. Muitas eu havia acabado de conhecer e foi muito legal isso. Para variar, o taxista atrasou com a gente. E o povo querendo ir embora negociou um táxi. É importante dizer que uma coisa que eu estava querendo muito aconteceu.

Estação de Muzemberg

Uma parte da galera que foi para o Cubana

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