Fabyana Assunção

Just this

18 18UTC janeiro 18UTC 2008

É muito difícil tentar lembrar de tudo o que vivi e colocar aqui neste blog. A minha intenção era ter feito isso diariamente, mas a falta de disponibilidade de um computador tornou isto impossível. Esta viagem me mostrou a importância de um notebook, e provavelmente, será a minha próxima aquisição. Até para baixar as fotos ele ajuda. Mas não foi para isso que estou escrevendo.

No post de ontem abordei a proximidade do Natal. Há alguns anos não tenho aquele espírito natalino que eu tinha antes. E lá, em Cape Town, era raro lembrar que o Natal estava próximo. Primeiro porque estava longe de casa, segundo porque a gente estava sempre fazendo alguma coisa. E por mais que a gente tocasse na data, o espírito não estava presente. Tanto é que vi o shopping decorado e eu estava preocupada em tirar foto da praça de alimentação.

Havia um navio enorme, com uma bandeira pirata, que desde a primeira vez queria ter tirado foto. Então pedi ao Fernando para tirar para mim. Mas ele focou para o lado oposto. Então questionei: “mas e o navio?” E ele respondeu: “Estou tirando com a árvore de Natal”. E foi uma das melhores fotos de lá. Mas confesso, que mesmo assim ainda não me tocava que o dia estava tão próximo.

Outro ponto que acho importante, é que as pessoas que moram na residência viram a sua família. E quem tem afinidade vai se juntando e fazendo os mesmos programas sempre. No entanto, não existe exclusão e isto é muito legal. Pessoas de diferentes nacionalidades, dividindo o mesmo teto e convivendo amigavelmente.

Outra coisa que se aprende é a ter paciência. Sempre temos que esperar alguém ou alguma coisa. Fazer compras com os outros é outro problema. Cada um quer ver uma coisa e acaba te apressando. O melhor era marcar horário para encontrar. Por outro lado, também é bom ver que a gente pode dar um empurrãozinho em pessoas que não são chegadas às compras. E eu fui uma dessas pessoas a dar um empurrão. Este empurrão, eu chamo de ajuda. Afinal de contas, a palavra feminina nessas horas conta muito.

Não é que ficou boa?

Dia de rir muito

17 17UTC janeiro 17UTC 2008

Como disse antes, não apareci na escola, já que a minha professora não ia. A primeira coisa a fazer foi pegar a roupa na lavanderia. O programa era ir ao Canal Walk e comprar o tênis para o namorado da Silvia e a tarde fazer um programa turístico com a Andréa, que resolveu adiantar a volta dela. Bem, ao ligar para os taxistas, nenhum podia nos levar lá. Então mudamos os planos. Fomos para o Waterfront.

O que me restava era combinar com a Andréa o passeio de ônibus e buscar outra alternativa. Ligando para ela descobri que ela não iria fazer mais o passeio de ônibus. Bom, o que eu havia planejado tinha dado errado. E mais, já havia combinado hora com o Fernando e o Júnior na porta da escola. O destino acabou sendo o Aquarium Two Oceans. E nunca ri tanto na minha vida.

Vi peixes engraçados, estranhos, feios e bonitos. Mas o meu interesse mesmo era o tubarão. Dias antes tinha visto uma foto linda da Juliana no aquário com um tubarão ao fundo. E queria uma foto igualzinha. A perseguição pela foto foi hilária. Eu e Sílvia correndo pelo aquário para tentar pegar a posição perfeita. Quem disse que a gente conseguiu? Parecíamos duas crianças correndo atrás do bicho e foto nunca saía legal. No final das contas, desistimos. Perto do aquário presenciei uma briga de focas, e foi muito engraçado. A briga começou por causa de uma roubada de lugar. As duas começaram a se estranhar e as outras que estavam perto, levantaram a cabeça, olharam e voltaram para a posição anterior. Ninguém se intrometeu. Queria ter uma vida de foca.

Na hora combinada encontramos com o Fernando e o Júnior na porta da escola. Antes disso, descobri que pen drive, não é pen drive e sim flash drive. A Silvia os convenceu de ir para o Canal Walk e o Fernando ser a cobaia dela para experimentar tênis. Ligamos para o Carlos, não queríamos a confusão do dia anterior com o pai dele, que nos deixou na mão. E marcamos no YMCA.

Para variar, houve atraso. E quem veio foi o Manoel, pais do Carlos, numa Mercedes. Mas a turma ganhou agregados, o Vítor e a Júlia. Então, nós seis (eu, Silvia, Júnior, Fernando, Júlia e Vítor) fomos fazer compras. Foi ótimo porque achei umas lembrancinhas legais e por preço bom. E minha mãe saiu no lucro também, achei um conjunto de brinco e colar vermelhos que resolvi comprar para ela. Depois de tudo comprado, era hora de voltar para o lugar onde havíamos combinado e tirar fotos. O lanche foi Mc Lanche Feliz e ganhei uma abelha que dança. Mas o “fast food” da África não estava tão “fast” assim. Levamos horas na fila.

Atrasamos para chegar ao estacionamento, já sabendo que haveria atraso por parte do Manoel. Mas ele conseguiu se superar e nos deixou esperando mais tempo, para o Carlos aparecer. O dia chegava ao fim…

A melhor foto que eu consegui

Um dia de muitos gastos

16 16UTC janeiro 16UTC 2008

A quarta-feira, 19 de dezembro, foi um dia de gastos. Depois da aula, fomos para o Outlet. O mesmo do meu primeiro dia. Mas fui honesta e informei para quem ia que era uma boa caminhada da estação até lá. Estava perto do Natal, e nem assim as lojas fecharam mais tarde. Fiquei realmente impressionada com a cidade.

Visitamos algumas lojas e o tempo foi meio curto. Mais uma vez fiquei com pena dos meninos. Fizeram programa de compras com a gente. E na maior cara boa. O quarteto estava feito. Não resisti e comprei blusas, bolsa e meia. E só não comprei mais porque não achei uma calça do meu tamanho. Acho que durante um bom tempo vou lembrar dela. A minha mãe estava começando a sair no lucro, e foi aí que percebi que estava com saudades. Só sei que como sempre, eu me arrependi de não ter comprado mais delas. E descobri que não dá para olhar e depois voltar, pois pode acontecer de não dar tempo de pegar a loja aberta.

A esta altura eu já estava preocupada com a cota de 500 dólares. Pois já havia comprado muitas coisas e passado disso há muito tempo. Apesar do Evaldo ter me mandado um scrap dizendo que eu não precisava me preocupar, pois roupa não contava, a Sílvia me deixou preocupada. Mas enfim, eu já havia comprado.

Voltamos para casa cansados e ainda tinha o Africa Café, um restaurante onde a gente degustava diversos pratos típicos. Nos arrumamos e esperamos pelo taxista que não apareceu. A Aleja, uma espanhola da minha sala, me ligava preocupada, esperando por nós, e a gente lá sem poder fazer nada. Até que o Carlos apareceu para pegar os meninos e nos levou. Chegamos com mais de uma hora de atraso. E, apesar disso, eles ainda foram educados conosco. Só não tivemos espaço para experimentar as comidas. Veio tudo de uma vez só.

Na hora de pagar a conta, o garçom conversou conosco e nos falou muita coisa a respeito da África do Sul. De costumes à política. E descobri porque o caixa do banco não queria aceitar a nota da Sílvia para trocar. Os bancos não aceitam notas velhas, com isso o comércio também não. Ou seja, se a pessoa recebe uma nota que o banco considera velha, ela é inválida e prejuízo fica para o cidadão. Inacreditável, não é? Aqui no Brasil elas simplesmente são retiradas de circulação e ninguém perde. Esta informação foi muito útil no dia seguinte quando recebi o troco de um jornal que comprei na porta do shopping que nos levava para a estação.

Outro dado importante deste dia é que não usei blusa de frio. Fato raríssimo de acontecer nestes dias de Cape Town. Saí até de saia, e não teve problema algum. Mas isto não voltou a se repetir. Eu não teria aula no dia seguinte, pois seria o feriado de Natal da minha professora. Aliás, teria, mas iriam juntar as duas turmas (upper-intermediate e advanced), e o povo me convenceu de não ir. O Africa Café foi o restaurante onde mais gastei: R204,80. Ainda bem que o almoço tinha saído barato (R17,50).

Última semana de aula

15 15UTC janeiro 15UTC 2008

Sem perceber minha última semana de aula havia chegado. Como o tempo passou rápido por lá. Não havia feito nem metade do que eu gostaria e com as festas de final de ano e o dia da volta, minhas chances diminuíam. Nessa hora começou a passar pela minha cabeça em ficar mais tempo. Mas aí, eu já havia torrado o resto do meu dinheiro e procurar emprego a esta altura do campeonato, acho que já estava complicado.

Eu havia me preocupado tanto em aproveitar o lugar e relaxar que o resto eu deixei de lado. Curti os novos amigos, os lugares, a escola. E fiquei o mais longe possível do stress que eu tinha no Brasil. Procurar um novo emprego no meu país, era assunto que seria resolvido no meu país. E por mais problemas que eu pudesse ter, afinal de contas já sofri dois períodos longos de desemprego, eu não estava muito preocupada. Na verdade, estava confiante de que tudo daria certo quando eu voltasse. Eu tive coragem de me libertar de algo que não estava me fazendo bem e ir atrás do meu sonho.

E já que estava acabando, eu tinha que aproveitar o máximo. E depois da aula de terça-feira, fizemos uma via-sacra com os novatos. Mostrar restaurante, lugar para trocar dinheiro e museu. Foi tudo tão corrido, que acho que ninguém aproveitou o museu direito. Voltamos ao Museu Judeu para ver se conseguíamos conhecer a sinagoga, que estava fechada na segunda. O Fernando e o Júnior com a gente. A Tarsila, por um desvio de percurso, precisou voltar ao banco e se separou de nós.

Mas para nosso azar, não conseguimos conhecer a sinagoga. Ou seria sorte? Teríamos que esperar o Fernando e o Júnior, com isso descobrimos o Centro do Holocausto. Acabou que eles que nos esperaram. O lugar era tão rico de história que não queríamos sair sem ler cada linha. De lá, voltamos para a porta da escola para encontrar a Tarsila, que já tinha uns agregados.

Bem, mas ainda tinha o passeio turístico para quem havia chegado no final de semana. Então resolvemos ir para o Waterfront. Aproveitamos para jantar no Ocean Basket. Dividi um prato de calamari, ostras, camarões e peixe com as meninas. Mas sinceramente, preferia o meu prato com arroz e peixe. Os meninos que chegaram ficaram felizes, pois tinha sido a primeira vez que comiam comida de verdade na África do Sul.

A partir deste dia, o Fernando seria minha companhia constante em Cape Town. O Vítor também estava sempre com a gente. Mas não me lembro de nada, depois disso, que o Fernando não estivesse junto. A não ser o domingo, quando eles foram para o Cape Point e eu e a Sílvia para o Waterfront.


Strong, isn’t it?

Depois do Safári

14 14UTC janeiro 14UTC 2008

A chegada no YMCA foi cheia de novidades. A máquina cheia de fotos para mostrar e muitas histórias para contar. E, é claro, o reconhecimento da galera que chegou. Mais uma vez: vários brasileiros. O tempo também esteve feio por lá, e o povo reclamou que não deu para fazer muita coisa no final de semana. E tínhamos um feriado na segunda, que até então eu não fazia a mínima idéia do que era.

Com a política das boas-vindas, fomos ao Ignite à noite. E o lugar é muito bonito. Enfrentamos uma fila gigantesca para entrar, mas valeu a pena conhecer. Aproveitamos bastante, conheci um americano, uns alemães. É impressionante como tem turista naquele lugar. Na volta eu fiquei preocupada com o Fernando, que não havia comido nada, mas a Sílvia acabou me arrastando já que o povo tava demorando muito. Mas confesso, que a minha consciência pesou muito depois. Mas enfim, já tinha ido para o meu quarto e não poderia fazer mais nada. Nem sabia onde o cara estava.

A segunda foi dedicada aos museus. Aproveitamos o feriado para conhecer o Bo-Kaap e o Museu Judeu. No caminho para o Bo-Kaap que é um bairro islâmico, dei uma paradinha para ver as gravações de um filme. Pelo menos, supunha que era um filme. O Museu Judeu é o museu mais bonito que vi por lá e muito interessante. Foi uma pena não ser permitido tirar foto.

O feriado do dia 17 de dezembro era referente ao Dia da Reconciliação. Na verdade, o dia certo era o dia 16, mas como o feriado caiu no domingo, ele passa para o primeiro dia útil subseqüente. Se isso virar moda no Brasil…

Safári

12 12UTC janeiro 12UTC 2008

Ir para a África e não fazer um safári era algo sem sentido para mim. Mas quando cheguei lá foram tantas pessoas falando que não compensava, que cheguei a pensar em desistir deste programa. No entanto, eu fiz. E o que me convenceu foi o folheto do hotel onde ficaríamos. A Mari me mostrou o programa, o mesmo que a Sílvia tinha comentado na semana anterior e acabei comprando para o fim de semana.

O mais complicado de tudo foi chegar com a mala na escola. Bem que pensei levar pouca coisa, mas no final vi que não era tão pouca assim. Andar com a mala do YMCA até a estação de trem, passar por baixo da linha (isso significa descer escada e depois subir), sair da estação e chegar até a escola não foi fácil. Neste momento pensei: e a volta? O pacote era de três dias, saindo na sexta-feira depois da aula, passaríamos em Hermanus para ver as baleias, visitaríamos uma vinícola, passaríamos em um bungee jump e depois o Game Drive, como eles chamam o safári por lá.

Esta foi a oportunidade para conhecer um pouco mais do país. As estradas são extremamente bem cuidadas. Não há buracos. E a paisagem é de tirar o fôlego. Paramos em alguns postos no caminho e todos bem cuidados e limpos. O Bart foi nosso guia, amigo e protetor. Ele nasceu na Bélgica, foi visitar um amigo em Cape Town e ficou por lá, se não me engano mora há uns dez anos na cidade.

A primeira parada foi numa colônia de pingüins africanos. Um lugar realmente lindo. E os bichinhos são fofos. As cidades que passamos eram lindas, com casinhas estilo europeu. Depois fomos para Hermanus. Ficamos umas duas horas perto do mar e nenhuma baleia apareceu. Mais tarde descobrimos que elas não ficam por lá nesta época do ano. Mas o lugar valeu a pena.

Era hora de descansar, então fomos para o hotel. No entanto, levamos um susto quando chegamos lá e vimos o nosso quarto. Não era bem o do folheto. Todo mundo começou a questionar e a nossa cara de decepção foi enorme. Até que resolvemos perguntar ao Bart. Passaríamos a noite lá para seguirmos viagem no dia seguinte e todas respiramos aliviadas. Dormimos os seis no mesmo quarto, nós cinco e o Bart. Tivemos jantar e café da manhã. Ambos bons, apesar de uma parte da comida ser novidade. Panqueca japonesa, feita com repolho ou algo parecido, mas era boa. E ainda fomos a uma danceteria da cidade.

Deixamos o albergue logo depois do café da manhã e o primeiro destino foi a vinícola. Não conheço muito de vinho, mas me dei o direito de experimentar e acabei comprando uma garrafa do vinho típico de lá. Paramos também numa loja de fábrica de produtos com aloe. Peguei um monte de guias por lá e comprei um kit para rosto. Desistimos do bungee jump e fomos para o hotel.

O que a gente teve de decepção com o albergue na noite anterior, tivemos de satisfação com o hotel. Ficamos em bangalôs lindos e tinha uma vista linda também. A primeira coisa foi a piscina. Mas infelizmente não entramos, pois a água estava gelada também. Às 5 da tarde começava o game drive. Como tinha lido que era muito frio, coloquei o “scarf” e uma blusa de frio, mas nem tão quente assim (arrependi depois). O dia estava lindo e saímos da piscina há pouco. Bem, o dia continuou lindo, mas o vento era congelante. Nem os cobertores que eles deixaram no jeep ajudaram muito.

A gente passava por portões para ver os animais. E alguns só de longe. Não era bem o safári que eu esperava fazer, mas foi um passeio muito divertido. Nunca ri tanto na minha vida. E vi os animais. Depois disso fomos direto para o jantar. Aliás, antes eles servem uma bebida para esquentar. E eu bebi, sem saber direito o que era. Mas o frio era grande.

No Garden Route foi a primeira vez que dormi bem, pois a cama era divina, e foi o dia que mais comi. Não sei como consegui, mas experimentei de quase tudo que tinha lá, inclusive uma carne de springbok. Ficamos um tempo no hall do hotel, conversamos e apreciamos os guias do lugar.

Lá também foi a televisão com mais canal que eu vi, e por coincidência havíamos comentando sobre o Senhor dos Anéis depois do jantar e o filme estava passando. No entanto, não levei muito tempo para dormir.

A manhã de domingo começou chuvosa e fria. Como eu tinha ido preparada, o Bart brincou que parecia que eu ia esquiar. Mas até sobrinha eu tinha levado e foi o que me salvou. Depois do café fomos ver as cobras. Um guia parou perto de mim e começou a conversar. Isto porque o outro estava segurando uma cobra na mão e eu mantive um certo espaço de segurança. Mas depois de muita insistência, acabei passando a mão na cobra e, sinceramente, não achei nada interessante. Mas enfim, quem está na chuva é para se molhar. De lá fomos ver as cheetahs e preferi ficar também em segurança. A esta altura a chuva havia parado. Depois disso, foi hora de voltar para a casa, com muitas histórias para contar.

Springbok


Giraffes

Mais uma despedida

11 11UTC janeiro 11UTC 2008

Voltei para o WaterFront depois da aula e almoçamos no mesmo lugar. Era o último dia do Evaldo e do Enzo, e eles precisavam trocar os vats lá. Almoçamos e voltamos para a residência. A intenção era fazer o passeio de barco, mas o tempo não ajudou e não tivemos o pôr-do-sol para isso.

A despedida foi no Roots, um bar no mesmo bairro que estávamos. Saímos em estilo arrastão por lá. O sistema deles é muito diferente do nosso. A gente compra a bebida no balcão e paga na hora. Quando precisamos pagar pela entrada do lugar, somos carimbados e temos autonomia de entrar e sair a hora que quisermos. Acho que assim não levamos o cano.

A despedida foi bem interessante, mas não suporto muito o mesmo batido de música eletrônica. O bar era legal também. No entanto, foi o dia que mais conversei com um dos caras da residência, o Micha. Acho que é suíço também, mas é um DJ que já tocou em uma festa na Bahia. Quase 20 dias convivendo debaixo do mesmo teto para descobrir mais sobre a vida do cara. Mas também foi só, pois depois disso ele se mudou.

Os meninos saíram na quinta-feira de manhã e na van havia mais dois mineiros. Acho que conheci mais brasileiro lá do que conheço aqui. Ok! É exagero, mas tinha muito mesmo. Desde que cheguei fui convivendo com as despedidas e é estranho, porque a gente se acostuma com a pessoa. E este fato me mostrava também que o meu dia estava se aproximando.

A melhor comida do mundo

A terça-feira (11/12/07) foi dia de mostrar o WaterFront para a galera que havia chegado no final de semana. Como sempre, esperamos muito tempo até juntar todo mundo e ir. E no WaterFront ainda tivemos as várias paradas para fotos. E acabamos nos separando de uma galera. Nada que o celular não resolvesse. Mas este dia, na minha opinião, ficou na memória. Foi o dia que eu comi a melhor comida na África do Sul: Rice, calamari and Linefish. Arroz no tempero certo, coisa rara naquele país.

Ainda bem que optei ficar com a parte da galera que optou por comida do mar. O prato mereceu até foto. Aliás, a frigideira. Isso mesmo, a comida era servida numa frigideira. Bem que tentei comer tudo, mas era muito para mim. Foi triste deixar comida no prato, mas…

O resto da tarde passamos no WaterFront, com uma galera querendo fazer o passeio de barco do pôr-do-sol. Eu não queria, por dois motivos: eu não bebo champagne e passo mal em barcos. O tempo foi passando e a gente esperando e acabou que ninguém foi. Acho que um pouco por culpa minha. (Sorry, friends) Se eu não fosse, ficaria sozinha e àquela altura, já não era interessante eu voltar sozinha para casa. Mas eu nem estava me preocupando. Depois de um certo tempo em Cape Town, a gente acaba não se sentindo tão insegura como as pessoas falam. Mas enfim, prometi fazer o passeio no dia seguinte e ficou tudo bem. Dividimos um táxi e peguei meu primeiro congestionamento na cidade.

Esta é a melhor comida de lá. Quem for a Cape Town, não pode deixar de experimentar a comida do Ocean Basket (boa, bonita e barata)

Segunda-feira começa tensa

Quinze dias em Cape Town. O tempo estava correndo. Acordei para ir para a aula, e, como sempre, cedo. Ainda não conseguia dormir direito lá, por mais cansada que eu estivesse. Como estava no bloco das excluídas, dirige-me para a cozinha do bloco oficial da residência. Só vejo a Cindy lá esperando a galera para levar para a escola e um amigo nosso bem acordado e com cara de preocupado. Alguém tinha quebrado o vidro da janela dele e roubado o telefone e a máquina fotográfica. Nunca vi tanto vidro no chão. O mais engraçado foi ele não ter percebido nada… Acho que a quebradeira de sair todas as noites não faz bem para as pessoas. Mas tudo bem, só que o lance sobrou para mim.

Voltei para o meu quarto e fui pegar dinheiro, pois já não tinha mais nada. E não achei a bolsa. Revirei tudo dentro da mala, a Sílvia e a Dinha me ajuram. Enquanto olhava uma mala, a Sílvia olhava a outra e o resto do quarto, e a Dinha olhava a minha mochila. E ninguém achou nada. Fui para a escola e avisei o ocorrido. Bem, até então acreditava que havia perdido uns 500 rands. Só me passava pela cabeça que alguém tinha entrado no meu quarto e tirado o dinheiro de lá. E nessas horas todo mundo fala que ouviu um barulho… Dois prejuízos no mesmo final de semana? Mas fazer o que?

Assisti a aula, desta vez com a turma cheia. Até o Evaldo passou a ser meu colega de sala. Fui comer pizza. Aliás, o que comi de massa naquele lugar! Preferia isso, a me arriscar nos temperos mais fortes do local. E esta era a melhor pizza de lá e por um preço ótimo. Além disso, garantia minha janta também, uma vez que não conseguia comer tudo na hora do almoço. E esta foi a minha sorte. Fui ajeitar as coisas dentro da mochila para conseguir guardar a caixa da pizza, e achei a bolsinha com todo o meu dinheiro. Foi um alívio… E agora poderia comprar a máquina mais tranqüila. Afinal de contas, o prejuízo diminuiu.

Fiz algumas pesquisas de câmera digital perto da escola, fui para a internet ver os preços no Brasil. Mas isso nem adiantava, né? Eu teria que comprar uma de qualquer jeito. Pedi um monte de palpite e comigo tinham mais cinco pessoas. Foi até engraçado. A dúvida era, eu comprava uma máquina mais fina ou uma com o zoom maior. A Sílvia me convenceu do zoom. E foi uma ótima compra, o problema foi aprender a mexer com ela.

A tensão provocada pelo roubo dentro da residência acabou prejudicando um pouco. Mas dos males o menor. O problema é que uma semana antes, uma ex-aluna da escola foi encontrada morta dentro de casa. Era uma sul-coreana que resolveu ficar por lá. O clima na Good Hope ficou pesado, acabei tendo aulas no avançado durante três dias. Fui colega de sala do Tobi, e ele correu fora na hora de fazer um exercício em dupla. Não foi de propósito não, ele tinha fisioterapia. E esta minha terceira semana foi a do funeral da garota.

A segunda-feira chegou ao fim com uma sensação de alívio e uma câmera nova debaixo dos braços. Além disso, consegui com a ajuda do Adilson, baixar minhas fotos e grava-las em CD. Ou seja, agora tinha tudo e já podia começar a postar as fotos no orkut.

Final de semana again

10 10UTC janeiro 10UTC 2008

Mas antes de contar do final de semana, esqueci de contar sobre a cartinha bem educada da escola me mandando mudar de quarto, aliás de bloco. Cheguei em casa na sexta-feira pensando que iria dormir um pouco para agüentar a noite e tive que arrumar malas. Eu ainda mudei de bloco e teve gente que mudou de andar.

Acho que a chegada dos portugueses lá não fez muito bem para aquele país não. Bem, eles alegam a mudança de quarto porque está chegando novos alunos. Por que eles não colocam esses novos alunos nos quartos vazios? É coisa de português mesmo! Mas enfim, fiz as minhas malas e contei com ajuda masculina (Enzo e Christian, que gentilmente carregaram as minhas malas até o outro quarto). A esta altura já tinha mais coisas do que quando cheguei.

No sábado acordei cedo e levei o resto das coisas para o novo quarto e saímos para a Table Moutain. Era a minha terceira tentativa. E desta vez deu certo. Enfrentamos fila, mas subimos. A vista de lá é uma das mais bonitas que vi na minha vida. É um lugar indescritível. Mas foi o lugar também que fiquei sem a máquina. A mochila caiu e depois disso ela não permaneceu ligada mais. Ou seja, meu segundo imprevisto da viagem: comprar uma câmera nova. O primeiro foi o frio. Tomei o café da manhã no restaurante, fiz umas compras (lembrancinhas e outra blusa de frio) e fomos passear pelo topo. Ficamos eu e a Silvia, e com certeza aproveitamos bem o espaço daquela montanha. Dava para passar a tarde inteira por lá. Mas o dia acabou no WaterFront e foi a minha primeira experiência em um ônibus sul-africano…

O domingo foi dedicado a compras no Green Point e de barganhar com os sul-africanos. Eles sempre perguntavam quanto a gente queria pagar. Ser brasileiro nos dava vantagens também. E eu era sempre o primeiro cliente. Comprei artesanato da África e achei o colar igualzinho ao que a Sachiyo havia comprado na semana anterior. Como ela só ficou duas semanas conosco, a minha professora, quando me viu com o colar, pensou que o havia recebido de presente da minha amiga japonesa. Dividimos o táxi com os meninos, para eles levarem nossas compras para casa. E fomos para a praia: Camps Bay. O meu primeiro dia de praia. Almoçamos e fomos para a areia. O único lugar capaz de ficar, pois a água era gelada. Tentei ver o pôr-do-sol do Lamed (um bar em Clifton), mas voltei sem conseguir, pois o tempo não ajudou. Lá encontramos a Andréa e a Isabela. Mas acabei vindo embora. Chegando na residência, havia um monte de gente nova, e do Brasil. Mulheres… Aí entendi porque os meninos não foram para a praia nos encontrar…

Foi momento de reconhecimento, mas era muita gente nova ao mesmo tempo: Mariana, Juliana, Júlia, Martha… Não vou conseguir lembrar o nome de todo mundo. E mesmo cansada, voltei para o Lamed. Queria dançar e paquerar e até que deu. Mas voltamos cedo para a residência. Acho que estava todo mundo morto… inclusive eu.

« Posts mais novosPosts mais antigos »

Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://fabyanaassuncao.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o serviço e siga participando do Terra Blog.