Ir para a África e não fazer um safári era algo sem sentido para mim. Mas quando cheguei lá foram tantas pessoas falando que não compensava, que cheguei a pensar em desistir deste programa. No entanto, eu fiz. E o que me convenceu foi o folheto do hotel onde ficaríamos. A Mari me mostrou o programa, o mesmo que a Sílvia tinha comentado na semana anterior e acabei comprando para o fim de semana.
O mais complicado de tudo foi chegar com a mala na escola. Bem que pensei levar pouca coisa, mas no final vi que não era tão pouca assim. Andar com a mala do YMCA até a estação de trem, passar por baixo da linha (isso significa descer escada e depois subir), sair da estação e chegar até a escola não foi fácil. Neste momento pensei: e a volta? O pacote era de três dias, saindo na sexta-feira depois da aula, passaríamos em Hermanus para ver as baleias, visitaríamos uma vinícola, passaríamos em um bungee jump e depois o Game Drive, como eles chamam o safári por lá.
Esta foi a oportunidade para conhecer um pouco mais do país. As estradas são extremamente bem cuidadas. Não há buracos. E a paisagem é de tirar o fôlego. Paramos em alguns postos no caminho e todos bem cuidados e limpos. O Bart foi nosso guia, amigo e protetor. Ele nasceu na Bélgica, foi visitar um amigo em Cape Town e ficou por lá, se não me engano mora há uns dez anos na cidade.
A primeira parada foi numa colônia de pingüins africanos. Um lugar realmente lindo. E os bichinhos são fofos. As cidades que passamos eram lindas, com casinhas estilo europeu. Depois fomos para Hermanus. Ficamos umas duas horas perto do mar e nenhuma baleia apareceu. Mais tarde descobrimos que elas não ficam por lá nesta época do ano. Mas o lugar valeu a pena.
Era hora de descansar, então fomos para o hotel. No entanto, levamos um susto quando chegamos lá e vimos o nosso quarto. Não era bem o do folheto. Todo mundo começou a questionar e a nossa cara de decepção foi enorme. Até que resolvemos perguntar ao Bart. Passaríamos a noite lá para seguirmos viagem no dia seguinte e todas respiramos aliviadas. Dormimos os seis no mesmo quarto, nós cinco e o Bart. Tivemos jantar e café da manhã. Ambos bons, apesar de uma parte da comida ser novidade. Panqueca japonesa, feita com repolho ou algo parecido, mas era boa. E ainda fomos a uma danceteria da cidade.
Deixamos o albergue logo depois do café da manhã e o primeiro destino foi a vinícola. Não conheço muito de vinho, mas me dei o direito de experimentar e acabei comprando uma garrafa do vinho típico de lá. Paramos também numa loja de fábrica de produtos com aloe. Peguei um monte de guias por lá e comprei um kit para rosto. Desistimos do bungee jump e fomos para o hotel.
O que a gente teve de decepção com o albergue na noite anterior, tivemos de satisfação com o hotel. Ficamos em bangalôs lindos e tinha uma vista linda também. A primeira coisa foi a piscina. Mas infelizmente não entramos, pois a água estava gelada também. Às 5 da tarde começava o game drive. Como tinha lido que era muito frio, coloquei o “scarf” e uma blusa de frio, mas nem tão quente assim (arrependi depois). O dia estava lindo e saímos da piscina há pouco. Bem, o dia continuou lindo, mas o vento era congelante. Nem os cobertores que eles deixaram no jeep ajudaram muito.
A gente passava por portões para ver os animais. E alguns só de longe. Não era bem o safári que eu esperava fazer, mas foi um passeio muito divertido. Nunca ri tanto na minha vida. E vi os animais. Depois disso fomos direto para o jantar. Aliás, antes eles servem uma bebida para esquentar. E eu bebi, sem saber direito o que era. Mas o frio era grande.
No Garden Route foi a primeira vez que dormi bem, pois a cama era divina, e foi o dia que mais comi. Não sei como consegui, mas experimentei de quase tudo que tinha lá, inclusive uma carne de springbok. Ficamos um tempo no hall do hotel, conversamos e apreciamos os guias do lugar.
Lá também foi a televisão com mais canal que eu vi, e por coincidência havíamos comentando sobre o Senhor dos Anéis depois do jantar e o filme estava passando. No entanto, não levei muito tempo para dormir.
A manhã de domingo começou chuvosa e fria. Como eu tinha ido preparada, o Bart brincou que parecia que eu ia esquiar. Mas até sobrinha eu tinha levado e foi o que me salvou. Depois do café fomos ver as cobras. Um guia parou perto de mim e começou a conversar. Isto porque o outro estava segurando uma cobra na mão e eu mantive um certo espaço de segurança. Mas depois de muita insistência, acabei passando a mão na cobra e, sinceramente, não achei nada interessante. Mas enfim, quem está na chuva é para se molhar. De lá fomos ver as cheetahs e preferi ficar também em segurança. A esta altura a chuva havia parado. Depois disso, foi hora de voltar para a casa, com muitas histórias para contar.

Springbok

Giraffes